Publicado em: 27/01/2026 às 19:00hs
O cenário internacional segue marcado por incertezas. O relatório do Rabobank aponta que o presidente Donald Trump descartou o uso da força na questão da Groenlândia e suspendeu a imposição de tarifas sobre produtos europeus, após sinalizar avanços em um possível acordo comercial.
O banco projeta que o Federal Reserve (Fed) deve manter a taxa de juros americana entre 3,50% e 3,75%, reforçando uma postura cautelosa diante das pressões geopolíticas.
A volatilidade externa tem levado investidores a diversificar seus ativos fora dos Estados Unidos, fortalecendo moedas emergentes e pressionando o dólar globalmente.
No ambiente doméstico, os dados fiscais seguem positivos. Em dezembro de 2025, a arrecadação federal atingiu R$ 292,8 bilhões, alta real de 7,5% em relação ao ano anterior, segundo a Receita Federal e o Rabobank.
No acumulado de 2025, o total arrecadado chegou a R$ 2,89 trilhões, o melhor resultado desde o ano 2000.
Entre os destaques, o IOF registrou forte crescimento (+20,5%), impulsionado por mudanças na legislação, seguido por IR (+22,7%) e Cofins (+6,1%).
O relatório mostra que o déficit em transações correntes chegou a US$ 3,4 bilhões em dezembro, resultado melhor que o esperado pelo mercado. No ano, o déficit acumulado foi de US$ 68,8 bilhões (3,0% do PIB).
O desempenho negativo foi parcialmente compensado pela melhora na balança de serviços e pela elevação do Investimento Direto no País (IDP), que somou US$ 77,7 bilhões em 2025, equivalente a 3,4% do PIB.
Para 2026, o Rabobank projeta déficit menor, de cerca de US$ 64,2 bilhões (2,6% do PIB), impulsionado pela expectativa de melhora nas exportações e fluxo consistente de capital estrangeiro.
Mesmo com o ambiente global incerto, o real apresentou um dos melhores desempenhos entre as moedas emergentes, com valorização de 1,6% na semana anterior, encerrando a R$ 5,28 por dólar.
Segundo o Rabobank, a combinação de juros elevados e diversificação de portfólios tem sustentado o interesse internacional por ativos brasileiros.
O banco, no entanto, mantém previsão de R$ 5,60 por dólar no fim de 2026, ponderando que riscos fiscais e políticos ainda podem limitar ganhos adicionais da moeda.
O otimismo dos investidores estrangeiros levou o Ibovespa a superar 179 mil pontos, novo recorde histórico. O movimento reflete a entrada de R$ 12,35 bilhões em capital externo apenas em janeiro, quase metade do total de 2023.
Enquanto isso, o mercado de juros apresentou movimento de alta nos rendimentos longos, com a curva de DIs refletindo a expectativa de manutenção da Selic em 15% pelo Copom.
O Rabobank mantém projeção de inflação (IPCA) em 4,2% para 2026 e crescimento do PIB em torno de 1,6%.
A instituição prevê início de cortes graduais na Selic a partir de abril, com a taxa recuando para 12,5% até o fim do ano, em linha com o processo de desaceleração da atividade e da inflação.
Apesar das tensões geopolíticas e dos desafios fiscais, o Brasil encerra o primeiro mês de 2026 com fundamentos macroeconômicos sólidos.
O equilíbrio entre crescimento moderado, juros altos e câmbio estável cria um ambiente de relativa resiliência para o país frente à instabilidade internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
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