Superávit da balança comercial do Brasil pode atingir US$ 90 bilhões em 2026, projeta MDIC
Governo eleva estimativa após forte avanço das exportações brasileiras no primeiro semestre; petróleo, soja e carnes impulsionam desempenho do comércio exterior.
Publicado em: 10/07/2026 às 11:05hs
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) revisou para cima a projeção do superávit da balança comercial brasileira em 2026. A estimativa passou de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões, refletindo o desempenho acima das expectativas das exportações e importações ao longo do primeiro semestre.
Caso a projeção seja confirmada, o resultado representará o segundo maior superávit da série histórica, ficando atrás apenas do recorde registrado em 2023. Em comparação com 2025, quando o saldo foi de US$ 68,1 bilhões, o crescimento previsto é de 32,3%.
A revisão foi anunciada pelo governo após a consolidação dos dados do comércio exterior dos seis primeiros meses do ano, período em que as exportações brasileiras avançaram 11,5%, mesmo diante de desafios como o conflito no Oriente Médio e a manutenção de tarifas comerciais pelos Estados Unidos.
Exportações e importações aceleram acima das previsões
Além da revisão do superávit, o MDIC atualizou as estimativas para todo o fluxo de comércio exterior em 2026.
A expectativa é que o Brasil exporte US$ 394,4 bilhões até o fim do ano, valor US$ 30,2 bilhões superior à projeção divulgada em abril. Já as importações devem alcançar US$ 304,4 bilhões, acima da estimativa anterior de US$ 292,1 bilhões.
Segundo o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do ministério, Herlon Brandão, o aumento das projeções reflete a aceleração das operações comerciais brasileiras.
De acordo com o executivo, tanto as exportações quanto as importações apresentaram ritmo superior ao esperado, elevando a perspectiva para o saldo comercial de 2026.
Junho registra exportações recordes e amplia saldo positivo
Os números revisados foram divulgados juntamente com o resultado da balança comercial de junho, que apresentou um dos melhores desempenhos do ano.
No mês, o Brasil registrou superávit de US$ 9,8 bilhões, impulsionado por exportações recordes de US$ 36,3 bilhões, crescimento de 24,9% na comparação com junho de 2025.
As importações totalizaram US$ 26,5 bilhões, alta de 14,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, demonstrando aquecimento tanto da demanda interna quanto das operações de comércio exterior.
Petróleo lidera crescimento das exportações brasileiras
O principal destaque entre os produtos exportados foi o petróleo bruto, responsável por grande parte da expansão das vendas externas.
Segundo o MDIC, o desempenho foi resultado da combinação entre valorização internacional da commodity e aumento do volume embarcado. Na comparação anual, o preço médio do petróleo exportado avançou 67,6%, enquanto o volume comercializado cresceu 6,8%.
Além do petróleo, também contribuíram para o resultado positivo o aumento das exportações de soja pelo setor agropecuário e o crescimento das vendas de carnes, combustíveis e farelo de soja pela indústria de transformação.
Saldo comercial do primeiro semestre supera 2025
Entre janeiro e junho de 2026, a balança comercial brasileira acumulou superávit de US$ 42,4 bilhões, resultado significativamente superior aos US$ 30,2 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.
No acumulado do semestre, as exportações somaram US$ 184,8 bilhões, enquanto as importações alcançaram US$ 142,4 bilhões.
O desempenho reforça a expectativa de um ano histórico para o comércio exterior brasileiro, sustentado pela força do agronegócio, da indústria extrativa e da indústria de transformação, setores que seguem ampliando sua participação nas exportações nacionais.
Fonte: Portal do Agronegócio
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