Superávit comercial de 2026 tem previsão reduzida para US$ 84,4 bilhões com petróleo mais barato
MDIC revisa estimativas de exportações e importações, mas mantém perspectiva de saldo 24% superior ao de 2025; setembro registra superávit de US$ 7,74 bilhões.
Publicado em: 08/10/2026 às 18:40hs
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) reduziu de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões a previsão de superávit da balança comercial brasileira em 2026. A revisão reflete principalmente a redução das projeções para o preço do petróleo, que afeta os valores das exportações e das importações do país.
Mesmo com o corte, o saldo estimado permanece 24% acima dos US$ 68,1 bilhões registrados em 2025. Se confirmado, será o segundo maior superávit da série histórica, atrás apenas dos US$ 98,9 bilhões alcançados em 2023.
Exportações devem alcançar US$ 382,5 bilhões
Na atualização, o MDIC passou a projetar exportações de US$ 382,5 bilhões em 2026, ante os US$ 394,4 bilhões previstos anteriormente. A estimativa para as importações caiu de US$ 304,4 bilhões para US$ 298,1 bilhões.
As revisões representam uma redução de US$ 11,9 bilhões nas vendas externas e de US$ 6,3 bilhões nas compras internacionais. Como o ajuste nas exportações foi maior, a previsão para o saldo comercial diminuiu US$ 5,6 bilhões.
Apesar da revisão, o ministério ainda espera crescimento de 9,8% nas exportações e de 6,4% nas importações em relação a 2025.
Preço do petróleo explica revisão da balança comercial
O petróleo tem peso relevante nos dois lados da balança comercial brasileira: o país exporta o produto bruto e importa derivados. Por isso, mudanças nas cotações internacionais afetam tanto a receita das vendas quanto o custo das compras.
Segundo o cenário apresentado, o barril chegou a US$ 138 em abril, após a entrada dos Estados Unidos na guerra com o Irã, e recuou posteriormente. Mesmo com a recuperação das últimas semanas, o Brent, referência internacional, está em torno de US$ 100.
A expectativa de preços menores levou o governo a recalcular os valores previstos para o comércio exterior ao longo do ano.
Brasil precisa de cerca de US$ 22 bilhões no último trimestre
Esta é a segunda revisão da projeção do MDIC em 2026. A estimativa inicial apontava superávit de US$ 72,1 bilhões e foi elevada para US$ 90 bilhões em julho, antes do ajuste atual.
Para atingir o novo saldo previsto, o Brasil precisará acumular aproximadamente US$ 22 bilhões de superávit entre outubro e dezembro. O montante é próximo dos US$ 21,8 bilhões registrados no último trimestre de 2025.
Herlon Brandão, diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, afirmou que a proximidade do encerramento do ano permite trabalhar com um cenário mais consolidado, apoiado no desempenho observado até setembro.
Superávit de setembro cresce 146,4%
A revisão anual ocorre após um resultado expressivo em setembro. A balança comercial registrou saldo positivo de US$ 7,74 bilhões, avanço de 146,4% sobre os US$ 3,14 bilhões apurados no mesmo mês de 2025.
Foi o maior superávit mensal desde junho, quando o saldo chegou a US$ 9 bilhões.
As exportações de setembro somaram US$ 34,42 bilhões, crescimento de 12,9% na comparação anual. As importações totalizaram US$ 26,68 bilhões, com redução de 2,4%.
Petróleo bruto e preços maiores sustentam exportações
A valorização dos produtos exportados foi o principal componente do crescimento das vendas externas em setembro. Os preços médios aumentaram 9,9%, enquanto o volume embarcado avançou 2,3%.
O mês teve 21 dias úteis, um a menos que setembro de 2025. Pela média diária, as exportações cresceram 18,3%.
Entre os destaques, as vendas de petróleo bruto alcançaram US$ 6,49 bilhões, alta de 77,3% na comparação com setembro do ano passado. O produto contribuiu para o desempenho mensal, embora a revisão das expectativas para suas cotações tenha reduzido a projeção do superávit brasileiro no fechamento de 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
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