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Retração no PIB acende alerta para o agronegócio em Mato Grosso do Sul

Segmento registrou queda de 2,8% no segundo trimestre; quebra na safra de milho e o número de abates devem influenciar índice em MS


Publicado em: 09/01/2023 às 18:40hs

Retração no PIB acende alerta para o agronegócio em Mato Grosso do Sul

A leve queda do Produto Interno Bruto (PIB), de 0,1%, no segundo trimestre do ano, com retração de 2,8% no agronegócio, acendeu alerta para o setor produtivo em Mato Grosso do Sul, mesmo que os dados do Estado ainda não estejam consolidados.

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Com as perdas resultantes das intempéries climáticas enfrentadas nos últimos meses, a produção sofreu interferência. É o que avalia o especialista em Mercado Exterior Aldo Barrigosse.

“O impacto negativo do agro que fez esse número cair em relação ao período anterior: foram os efeitos climáticos que fizeram com que a nossa produção fosse menor nesse período. Podemos ter reflexo em Mato Grosso do Sul: se a nossa produção é menor, o retorno para quem produz vai ser menor, a perspectiva de emprego será um pouco menor no campo, os investimentos no campo, em tecnologia, na compra de novos equipamentos – tudo tende a ser menor”, explicou Barrigosse.

Por outro lado, desde o início da pandemia, a agropecuária “sustentou” a economia do Estado, com bons indicadores de exportações e geração de empregos.

Segundo dados do Ministério da Economia, de janeiro a julho deste ano, o saldo foi de 3,4 mil trabalhadores no setor, com 11.067 contratados e 7,5 mil demitidos.

Já em relação às exportações, nos sete primeiros meses deste ano, o Estado acumula saldo de US$ 2,8 bilhões, sendo o resultado 16,5% maior do que o do mesmo período de 2020, mas deve ser considerada a valorização do dólar frente ao real.  

OUTROS FATORES

Entre os fatores que preocupam o segmento, o presidente do Sindicato Rural de Anaurilândia, Luciano Pompilio Brescansin, se diz apreensivo com a queda na produtividade do milho, aliada aos eventos climáticos no Estado, e teme uma queda no PIB de MS.

“A nossa preocupação é que baixe a produção de milho, o que está acontecendo em todo o Estado. Todos os produtores de milho do Brasil diminuíram a produção, então, isso nos deixa apreensivos, sim. O que a soja deu de aumento de PIB, o milho pode baixar um pouco”.

Para o presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, Rochedo e Corguinho (SRCG), Alessandro Coelho, a retração do PIB remete à quebra da safra.

“Remetemos a queda do PIB à quebra de safra, por conta da estiagem e das geadas, e à forte queda da produção de proteínas animais, pelo elevado valor dos insumos, que aumentaram como reflexo das intempéries e da parada na indústria durante a pandemia”, analisou.

Conforme dados da Associação dos Produtores de Soja e Milho de MS (Aprosoja-MS), a estimativa para a segunda safra de milho era de um volume 9,013 milhões de toneladas de grãos e uma produtividade média de 75 sacas por hectare.

Após a quebra de safra por conta de geadas e falta de chuva, a estimativa de produtividade foi revisada para 52,3 sacas por hectare e uma expectativa de produção de 6,285 milhões de toneladas, o que representa uma redução de 40,8%, quando comparada ao ciclo de 2019/2020.

Para a safra 2021/2022, Coelho ainda alerta para alguns contrapontos. “A indústria não está conseguindo atender à demanda dos produtores rurais, ainda em decorrência da pandemia. Temos muitos desafios à frente, mas podemos verificar que as vagas de trabalho no agronegócio seguem avançando e em saldo positivo”.

O doutor em Economia Mateus Abrita relaciona também a crise hídrica como um dos fatores que podem impactar no PIB.

“MS vem apresentando um desempenho econômico melhor do que a média de outros estados, mas o possível racionamento de energia e a crise hídrica somados aos diversos problemas que enfrentamos, como a pandemia, a alta de juros, a inflação, as instabilidades institucionais e os problemas energéticos e hídricos, lançam uma grande incerteza para os resultados do fim do ano, tanto no âmbito nacional como aqui em MS”, ressaltou o profissional.

A equipe de reportagem tentou contato com a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

PECUÁRIA

O abate de bovinos também apresentou queda significativa, em comparação com o ano anterior.

No relatório de movimentação de bovinos da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), constatou-se que, de janeiro a julho, Mato Grosso do Sul produziu dois milhões de cabeças para abate, representando queda de 8,72% em relação ao mesmo período do ano passado.

Do total de animais produzidos, 893,8 mil foram vacas, o que representou queda de 17,77% em relação ao ano anterior e participação 9,91% menor, equivalente a 44,49% do total de animais abatidos, contra os 49,4% que representou no período de janeiro a julho de 2020.

Para o abate de frangos não foi diferente. Nos primeiros sete meses do ano, foram 94milhões de animais, sendo 7,62% menor em relação aos 101,7 milhões de frangos abatidos em 2020.

PIB NACIONAL

O PIB apresentou estabilidade (-0,1%) no segundo trimestre deste ano (comparado ao primeiro trimestre de 2021), na série com ajuste sazonal. Ante o mesmo trimestre de 2020, cresceu 12,4%. No primeiro semestre, o PIB acumula alta de 6,4%. No acumulado de quatro trimestres, terminado em junho de 2021, cresceu 1,8%.

Além da queda no agro, a indústria também teve retração de 0,2%. Por outro lado, os serviços cresceram 0,7%. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Fonte: Correio do Estado

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