Publicado em: 09/05/2024 às 11:25hs
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, defende que o Banco Central mantenha o ritmo de corte da Selic em 0,5 ponto percentual para evitar prejuízos à economia brasileira e dar continuidade ao projeto de neoindustrialização. Alban argumenta que a redução gradual da taxa de juros é necessária para sustentar o crescimento econômico em um momento em que a inflação está sob controle.
Ele observa que a inflação no Brasil tem diminuído de maneira constante. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses passou de 4,62% em dezembro de 2023 para 3,93% em março de 2024. Os núcleos de inflação, que excluem preços mais voláteis, apresentam números ainda mais favoráveis, com uma média de 3,6% no acumulado até março de 2024, uma queda significativa em relação aos 4,3% registrados até dezembro de 2023.
As expectativas para a inflação também são otimistas. Segundo o Relatório Focus do Banco Central, a inflação deve chegar a 3,72% no final de 2024, dentro do limite superior da meta para o ano, que é de 4,5%. Com uma inflação sob controle, uma manutenção do corte da Selic seria necessária para não penalizar ainda mais a atividade econômica. Alban ressalta que a taxa de juros real, mesmo após cortes recentes, ainda está elevada, em torno de 6,9% ao ano, bem acima da taxa de juros neutra, estimada em 4,5%.
Os impactos da alta taxa de juros real são visíveis na economia brasileira. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) indicou um crescimento de apenas 1,23% no trimestre encerrado em fevereiro de 2024, em comparação com o trimestre anterior. Esse número reflete uma desaceleração do crescimento econômico, especialmente se comparado ao crescimento de 2,9% em 2023.
A alta taxa de juros real também afeta o mercado de crédito. Embora tenha havido um aumento real de 1,1% nas concessões totais de crédito no acumulado de 12 meses até março de 2024, houve uma queda real de 1,9% nas concessões para empresas no mesmo período. Além disso, as projeções de crescimento do PIB brasileiro em 2024 indicam uma desaceleração em relação aos anos anteriores, com o Fundo Monetário Internacional (FMI) estimando um crescimento de apenas 1,7%, em comparação com uma média de 4% para outros países emergentes de renda média.
Diante desse cenário, Ricardo Alban conclui que manter o ritmo de queda da Selic é essencial para evitar uma desaceleração ainda maior do crescimento econômico e sustentar o projeto de neoindustrialização. Reduzir o custo financeiro suportado pelas empresas e consumidores é um passo fundamental para recuperar o dinamismo da economia brasileira e promover a sustentabilidade do setor produtivo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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