Publicado em: 02/02/2026 às 10:45hs
Os mercados globais iniciaram a semana em clima de aversão ao risco, com as principais bolsas da Ásia, Europa e Estados Unidos operando em queda. A volatilidade foi impulsionada pela forte desvalorização das commodities — especialmente ouro, prata e petróleo — e pelas expectativas de manutenção de juros elevados nos Estados Unidos após a indicação de Kevin Warsh como novo presidente do Federal Reserve (Fed).
Nos Estados Unidos, os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq recuaram em torno de 0,3% a 1%, refletindo a cautela dos investidores diante da política monetária americana. Na Europa, o cenário foi misto: o índice FTSE 100, de Londres, registrou leve alta apoiado por setores defensivos, enquanto outros mercados, como o DAX, da Alemanha, também apresentaram ganhos moderados.
Já na Ásia, o movimento foi mais acentuado. As bolsas de Hong Kong e Xangai encerraram o pregão com fortes quedas, impactadas pela turbulência no mercado de metais e pelo desempenho fraco da indústria chinesa. O Hang Seng caiu mais de 2%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas da China, perdeu cerca de 2,1%.
O colapso recente nas commodities acendeu o sinal de alerta entre investidores. O ouro e a prata registraram perdas expressivas, acompanhadas por uma forte desvalorização do petróleo e de metais industriais. Segundo a Reuters, o movimento foi motivado por um processo de “desalavancagem” — quando investidores liquidam posições alavancadas após altas consecutivas — agravado pela percepção de que o novo comando do Fed pode adotar uma postura mais rígida em relação à inflação.
Analistas apontam que a decisão de Warsh é vista como “hawkish” (favorável a juros altos), o que tende a fortalecer o dólar e reduzir o apelo de ativos como ouro e prata. Empresas do setor de mineração na China e em Hong Kong registraram perdas de até 10%, o limite diário permitido, em um movimento que repercutiu em todas as bolsas da região.
No Brasil, o Ibovespa iniciou a semana de forma instável, refletindo o humor negativo dos mercados internacionais. Após duas sessões de queda, o índice chegou a ensaiar recuperação apoiado pelas ações da Vale e do Itaú Unibanco, mas voltou a recuar diante da pressão das ações da Petrobras, acompanhando a queda do petróleo no mercado global.
O principal indicador da B3 operava próximo dos 181 mil pontos, com variações moderadas ao longo do dia. Analistas do mercado destacam que a oscilação reflete tanto o impacto externo quanto o comportamento de setores estratégicos da economia brasileira, que seguem sensíveis às oscilações nas commodities e nas taxas de juros internacionais.
O sentimento predominante nos mercados é de cautela. A combinação de juros altos por mais tempo nos Estados Unidos, queda nas commodities e dados econômicos fracos da China aumenta a percepção de risco global. Especialistas avaliam que o movimento recente pode ser uma correção natural após fortes ganhos nos últimos meses, mas alertam para o risco de contágio em mercados emergentes.
No curto prazo, o foco dos investidores está voltado para novos dados econômicos norte-americanos e para o comportamento dos preços das commodities. Caso a pressão sobre o ouro, a prata e o petróleo continue, a volatilidade tende a permanecer elevada — afetando diretamente o desempenho das bolsas e os fluxos de capital para países como o Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
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