Publicado em: 29/01/2026 às 11:05hs
A política monetária restritiva adotada pelo Banco Central do Brasil continua impactando diretamente o sistema financeiro. A taxa Selic, mantida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), segue no maior patamar em quase duas décadas, freando a expansão do crédito e elevando os índices de inadimplência no país.
A decisão do Banco Central de manter a Selic em 15% pela quarta vez consecutiva reflete a estratégia de conter a inflação e estabilizar a economia. Apesar do controle gradual dos preços, o nível elevado dos juros básicos continua pressionando famílias e empresas, que enfrentam custos cada vez maiores para acessar financiamentos e empréstimos.
A Selic é a principal referência para o custo do crédito no Brasil. Quando ela se mantém alta, as instituições financeiras repassam esse aumento ao consumidor, elevando as taxas em diferentes modalidades — desde o crédito pessoal até o financiamento empresarial.
Em 2025, o custo médio dos empréstimos bancários subiu mais que a própria taxa básica, de acordo com dados do Banco Central. As operações com pessoas físicas encerraram o ano com juros médios de aproximadamente 60% ao ano, enquanto as taxas para empresas ficaram próximas de 25% ao ano.
Mesmo com a Selic estável, os bancos ampliaram seus spreads para compensar o aumento do risco e o avanço da inadimplência. O resultado é um crédito mais caro e seletivo, dificultando o acesso a novos financiamentos, especialmente para pequenos negócios e famílias de menor renda.
O volume total de crédito bancário no país alcançou cerca de R$ 7,1 trilhões em 2025, um crescimento de 10,2% em relação ao ano anterior. O desempenho, embora positivo, mostra uma desaceleração em comparação a 2024, quando a expansão havia sido de 11,5%.
Segundo o Banco Central, esse ritmo mais lento já era esperado, reflexo da política monetária mais dura e da menor demanda por crédito em um ambiente de juros elevados. Para 2026, a autoridade monetária projeta um avanço ainda mais moderado, com expansão próxima a 8,5%.
A inadimplência bancária também registrou forte alta em 2025, alcançando 4,1% das operações de crédito, o maior nível desde o início da série histórica em 2011. Entre as pessoas físicas, o índice chegou a 5%, refletindo a dificuldade de pagamento diante do custo crescente do crédito e da perda de renda em diversos setores da economia.
Nas empresas, o cenário também é de alerta: a taxa de inadimplência passou de 2% para 2,5%, o maior valor em mais de um ano. Especialistas apontam que a tendência é de estabilidade em níveis elevados nos primeiros meses de 2026, com recuperação apenas se houver redução consistente da Selic.
Modalidades como o cheque especial e o cartão de crédito rotativo seguem entre as mais onerosas do mercado. Mesmo com a regulamentação que limita o valor da dívida no cartão rotativo, as taxas permanecem acima de 400% ao ano, tornando essa a linha de crédito mais cara do sistema financeiro.
No cheque especial, os juros continuam em alta, superando 130% ao ano, o que reforça a necessidade de cautela por parte dos consumidores. Especialistas recomendam evitar essas modalidades e buscar alternativas mais acessíveis, como portabilidade ou renegociação direta com os bancos.
O Banco Central sinaliza que a política monetária deve permanecer cautelosa no início de 2026, mantendo a Selic elevada até que haja maior segurança na trajetória da inflação. O mercado, no entanto, projeta possíveis cortes graduais nos juros a partir do segundo semestre, caso os preços e a atividade econômica se estabilizem.
Enquanto isso, os impactos sobre o crédito e a inadimplência devem continuar sendo sentidos. A combinação de juros altos, crédito restrito e maior endividamento das famílias tende a manter o cenário econômico desafiador, tanto para o consumo quanto para os investimentos produtivos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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