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Ibre prevê "sobe e desce" trimestral do PIB em 2014

Para o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), todos os componentes do Produto Interno Bruto (PIB) vão desacelerar este ano em relação a 2013


Publicado em: 17/03/2014 às 17:40hs

Ibre prevê "sobe e desce" trimestral do PIB em 2014

Para o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), todos os componentes do Produto Interno Bruto (PIB) vão desacelerar este ano em relação a 2013, mas o padrão de crescimento será muito semelhante ao do ano passado, com elevada volatilidade trimestral.

Na edição de fevereiro do Boletim Macro, cujas análises serão apresentadas hoje em seminário, os pesquisadores de conjuntura do Ibre projetam que, após alta de 0,3% entre o quarto trimestre de 2013 e o primeiro de 2014, feitos os ajustes sazonais, o PIB vai dar um salto de 1,5% no segundo trimestre, recuar 0,4% no período seguinte e, por fim, crescer 0,2% de outubro a dezembro. Para a média do ano, o Ibre espera expansão de 1,8% da economia.

Segundo Silvia Matos, coordenadora técnica do boletim, o setor agropecuário continuará relevante para determinar um dinamismo maior da atividade na primeira metade do ano, já que as safras de maior peso nas contas nacionais entram no cálculo do segundo trimestre, mas o carro-chefe do comportamento "gangorra" do PIB será, mais uma vez, a indústria. "Como houve muitas políticas de incentivos e problemas setoriais da parte de bens de capital, o dado da produção industrial está em um vaivém, o que gera um PIB mais volátil", diz Silvia.

Num ambiente de baixo crescimento como o atual, a pesquisadora aponta que a volatilidade fica ainda mais pronunciada. A economista avalia que a tendência oscilatória da atividade industrial já ficará clara no começo do ano, quando a produção deve perder fôlego, após ter crescido 2,9% em janeiro. Para ela, os resultados mais positivos daquele mês, quando o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) subiu 1,26% sobre dezembro, não podem ser extrapolados para o primeiro trimestre.

A indústria de transformação, diz ela, terá dificuldades para manter desempenho vigoroso ao longo do ano. Nas estimativas do Ibre, a produção vai se expandir em 0,7% na média de 2014, pouco mais da metade do aumento de 1,2% observado em 2013. Para Silvia, o cenário doméstico não é propício a uma retomada mais consistente da indústria, tendo em vista a desaceleração prevista para o consumo e para os investimentos.

Calculado pelo Ibre, o Indicador Mensal do Investimento (IMI), que tenta antecipar a evolução da formação de capital fixo, caiu 1,6% no trimestre encerrado em janeiro ante os três meses anteriores. Na visão de Silvia, a variação negativa é um indício de que o salto de 10% da indústria de bens de capital no primeiro mês do ano não vai se sustentar.

A coordenadora do boletim acrescenta que o setor externo também não é favorável a uma trajetória de recuperação da indústria. Segundo dados da Sondagem da Indústria de Transformação da FGV de fevereiro, a expectativa dos empresários em relação às exportações piorou. A análise por setores, na avaliação do Ibre, indica que a queda pode estar relacionada à deterioração econômica de países vizinhos, principalmente da Argentina.

Mesmo com o patamar de câmbio mais depreciado, Silvia afirma que a indústria não deve se beneficiar muito por meio das vendas externas, porque os países estão passando por um processo de ajustamento externo.

A economista lembra que outros fatores atípicos vão contribuir para oscilações da atividade. As eleições devem levar os governos a antecipar obras, diz, que também serão impulsionadas pela Copa. Essas ajudas, no entanto, vão se perder na segunda metade do ano. Silvia ainda observa que os dois eventos vão afetar o desempenho da indústria, já que um número menor de dias úteis em um determinado mês provoca ruídos na variação da atividade nas fábricas.

A coordenadora também não descarta a repetição neste ano de um quadro parecido ao de julho de 2013, quando as manifestações provocaram um baque na confiança e nos índices de atividade.

Fonte: Canal do Produtor

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