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Fevereiro marca início da queda da inflação, diz presidente do BC

Declaração foi dada durante audiência pública em Comissão do Senado. Segundo ele, déficit das contas externas deve cair mais de 50% em 2016.


Publicado em: 22/03/2016 às 19:30hs

Fevereiro marca início da queda da inflação, diz presidente do BC

O mês de fevereiro marcou o começo do processo de queda da inflação, avaliou nesta terça-feira (22) o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal. "Fevereiro representou o início do declínio da inflação em 12 meses", declarou ele.

No mês passado, de acordo com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice de Preços ao Consumidor - Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, ficou em 0,9%, depois de subir 1,27% no mês anterior. Com isso, perdeu força. No ano, o índice acumula alta de 2,18% e, em 12 meses, de 10,36%.

Segundo Tombini, do BC, alguns fatores que devem manter essa tendência de queda da inflação nos próximos meses. São eles: a expectativa de reajustes menores dos preços administrados (energia elétrica e tarifas públicas), além dos efeitos do fraco nível de atividade (a economia brasileira está em meio a uma forte recessão); da "distensão" no mercado de trabalho, ou seja, a alta do desemprego e de menores pressões por conta do dólar.

Taxa de juros e metas de inflação

De acordo com análise do presidente do Banco Central, o balanço de riscos para inflação "permanece desafiador". "Não nos permite trabalhar com hipótese de flexibilização da política monetária [redução da taxa básica de juros no curto prazo], mas o BC não se furtará a tomar medidas, se necessário", declarou ele.

O principal instrumento da autoridade monetária é a taxa básica de juros, atualmente em 14,25% ao ano, o maior patamar em quase dez anos. Nos últimos meses, o BC manteve a taxa estável neste patamar, mas economistas estimam que a instituição deverá começar a reduzir os juros ainda neste ano - por conta dos efeitos "desinflacionários" da recessão na inflação.

Tombini reafirmou que o BC busca 'circunscrever" a inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), à meta deste ano, ou seja, abaixo do teto de 6,5%, e também que quer trazer o índice para a meta central de 4,5% em 2017.

Entretanto, o mercado financeiro não acredita que isso será possível. Para este ano, a previsão dos economistas é de um IPCA de 7,43%, estourando novamente a meta de inflação, e, para 2017, a estimativa do mercado é de 6% - no limite autorizado pelo Conselho Monetário Nacional.

"A expectativa de inflação vai recuar e vamos conseguir passar dentro do regime de metas em 2016 convergindo para 4,5% em 2017. Acreditamos que é possível e factível [ficar abaixo do teto] essa meta de 6,5% neste ano", declarou Tombini, do Banco Central.

Setor externo

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, declarou ainda que a conta de transações correntes (balança comercial, serviços e rendas), um dos principais indicadores do setor externo brasileiro, deve registrar um déficit inferior a US$ 30 bilhões neste ano, contra US$ 58,9 bilhões em 2015.

Com isso, a queda do rombo das contas externas deve ser superior a 50% neste ano. Em 2014, o déficit em conta corrente havia sido maior ainda: US$ 104 bilhões. Até então, o BC vinha estimando um rombo de US$ 41 bilhões nas contas externas para este ano.

De acordo com o Alexandre Tombini, a balança comercial brasileira, um dos componentes das contas externas, deverá ter um superávit (exportações menos importações) acima de US$ 30 bilhões neste ano - contra um resultado positivo de US$ 19,69 bilhões no ano passado. Para o mercado, o superávit comercial deverá somar US$ 42,4 bilhões em 2016.

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