Brasil

Exportações brasileiras perdem competitividade nos últimos anos

Exportadores brasileiros de carne suína estão se beneficiando da atual conjuntura do mercado mundial, com redução da oferta e aumento de preços


Publicado em: 14/07/2015 às 19:10hs

Exportações brasileiras perdem competitividade nos últimos anos

A escalada tem sido consistente. Ter chegado à posição de quarto maior exportador mundial é conquista do Brasil obtida com seriedade, responsabilidade, inovação e cuidados especiais para preservar a qualidade e a sanidade da carne suína brasileira. O conjunto desses elementos funciona como um passaporte para o acesso a mais de 70 mercados, atualmente, entre eles Japão, Estados Unidos e Rússia. A carne suína brasileira está no centro das atenções dos mercados internacionais.

Em 1998, a exportação de carne suína brasileira estava concentrada na Argentina, em Hong Kong e no Uruguai. Os três mercados, juntos, respondiam por 95% das exportações brasileiras. Hoje, o Brasil exporta para todos os continentes. Houve diversificação, também, de cortes suínos. Em 1998, o Brasil exportava basicamente carcaça; atualmente, embarcamos cortes variados e miúdos, que respondem por 85% das exportações.

Porém, manter-se como quarto exportador não tem sido fácil para o Brasil. O setor perdeu competitividade, nos últimos anos. A participação da mão de obra no custo de produção está semelhante à dos países competidores. Os custos de logística são bem mais altos do que os dos EUA, nosso maior concorrente.

Segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) as exportações de carne suína brasileira para a Argentina, país que já foi um dos principais clientes do produto do Brasil, caíram nos últimos anos.

“Em agosto deste ano, o Brasil exportou para o mercado argentino 556 toneladas e US$1,98 mil. Isso representou uma queda de 11,12% em volume e 5,41% em valor”. Em relação a agosto de 2013, o País havia exportado para a Argentina 625 toneladas e US$ 1,88 mil.

Embora, em volume, as exportações tenham caído 18,77% em julho, com 40.972 toneladas, no acumulado do ano a retração é de apenas 4,85% na comparação com o mesmo período de 2013. Nos sete primeiros meses do ano, o Brasil exportou 276.830 toneladas.

Os volumes cresceram exponencialmente: o Brasil exportou 81.565 toneladas de carne suína, em 1998; em 2012, embarcou 581.477 toneladas – um aumento superior a 600%. Segundo a associação, em 2015, a expectativa é que o ano termine com embarques de aproximadamente 600 mil t, ante 517 mil t no ano passado, um crescimento em torno de 16,05%.

“De janeiro a agosto deste ano, as vendas para a Argentina somaram 4.956 toneladas e US$ 17,50 milhões, uma variação negativa de 49,28% em toneladas e uma queda de 43,60% em valor. Isso porque de janeiro a agosto de 2013 as vendas para o mercado argentino somaram 9.773 toneladas e US$ 31,04 milhões”.

Em receita, a previsão é atingir ao redor de US$ 1,7 bilhão, em relação a US$ 1,36 bilhão em 2013. Em julho, os principais destinos foram Rússia, com 14.171 toneladas e US$ 67,88 milhões, Hong Kong, com 8.811 t e US$ 23 milhões, Cingapura, 4.011 t e US$ 12,03 milhões, Angola, 3.701 t e US$ 7,09 milhões, Uruguai, 1.738 t e US$ 5,38 milhões.  No acumulado do ano, a Rússia se destaca como o principal importador, com 97.931 t e US$ 403,93 milhões, seguida por Hong, Kong, com 63.954 t e US$ 156,43 milhões.

O Japão, que abriu seu mercado à carne suína de Santa Catarina em 2012, importou 1,16 mil de toneladas de janeiro a julho deste ano, um aumento de 658%.

Os principais estados exportadores, no período janeiro-julho, foram Santa Catarina, com 119.862 t, Rio Grande do Sul, com 67.608 t, Minas Gerais, com 26.208 t, Goiás, com 24.963 t e Paraná, com 23.921 toneladas.

“Quanto aos embarques de carnes de aves, estes caíram, também, nos últimos anos. Isso porque a Argentina é grande produtora de aves e suas importações são irrisórias”, diz a associação. Para se ter uma ideia, entre janeiro e agosto deste ano, foram vendidas para o mercado vizinho 553 toneladas (basicamente, comércio de fronteira).

Fonte: Guia Marítimo

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