Brasil

Ex-ministro da Fazenda diz que incerteza política aprofunda recessão

A crise política no Brasil está aumentando as incertezas e aprofundando a recessão no Brasil, segundo o ex-ministro da Fazenda, Rubens Ricúpero


Publicado em: 09/12/2015 às 10:15hs

Ex-ministro da Fazenda diz que incerteza política aprofunda recessão

Segundo o ex-integrante do gabinete de Fernando Henrique Cardoso, a presidente Dilma Rousseff perdeu a capacidade de governar, e a saída menos dolorida para a economia brasileira seria a sua renúncia.

"O melhor seria ela renunciar, quanto mais ela resiste, mais difícil vai ser para a economia", disse ele nesta quinta (3), em passagem por Buenos Aires. "A questão não é colocar em dúvida as suas qualidades, mas ela perdeu as condições de governar".

Chefe da economia no lançamento no Plano Real, em 1994, ex-embaixador brasileiro em Washington, Ricúpero alertou que o país "não aguenta" até 2018 com o atual nível de paralisia e recessão. Em suas contas, o PIB retrairá entre 3,5% e 4% neste ano, o que também contamina o desempenho de 2016, que larga com uma queda de pelo 1,5% do PIB por simples herança estatística.

"Se o impasse político continuar, o desemprego, que hoje é de 9%, poderá chegar a 10% no primeiro trimestre do ano que vem. Serão mais 3 milhões de desempregados. Não vejo como o país pode continuar assim", afirmou.

Ricúpero alertou que um período prolongado de recessão, de três a quatro anos (como pode se concretizar até 2018, em seus cenários alternativos), não são "recuperáveis" com o tempo. "Mesmo que se volte a crescer no futuro, essa perda de produto não se recupera. Quanto menos anos perdemos, melhor".

O ex-ministro disse que não gosta do processo de impeachment e acredita que a defesa de Dilma, concentrada em sua honestidade, tem força, mas afirma que o cenário para a presidente é difícil.

Ricúpero fez uma palestra a empresários e economistas argentinos, reunidos pela consultoria Abeceb, do ex-secretário de Indústria e Comércio Exterior da Argentina Dante Sica.

Economista, Sica concorda com o diagnóstico de Ricúpero sobre a influência da política sobre a economia.

"O processo de impeachment gera mais incertezas sobre a economia. Quanto mais rápido haja sinais de que se chegou a uma solução para o impasse político, melhor. Mas se o processo [de impeachment] se alargar no tempo, as incertezas não baixarão", afirma.

Segundo ele, a maior preocupação de investidores argentinos neste momento é o Brasil não se recupera e parece estancado na crise. "O Brasil tem que sair rápido dessa situação, não sei pela renúncia ou pelo impeachment, mas claramente existe um problema forte de governabilidade".

Em sua palestra, Ricúpero afirmou que Argentina e Brasil vivem hoje ciclos políticos distintos, o que pode causar desencontros entre os dois países.

Um exemplo é a expectativa do novo governo, de Mauricio Macri, de obter dólares com a venda da safra estocada de milho e soja. Além de os preços terem recuado no exterior, os argentinos se depararão com a concorrência brasileira.

"Em setembro e outubro nunca se vendeu tanta soja e milho do Brasil. Com a desvalorização de 58% do real, os preços do Brasil estão mais baixos", afirmou.

Folha Online

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