Brasil

Estabilização do PIB vai depender do cenário político, dizem economistas

A revisão de projeções provocada pela divulgação do PIB do quarto trimestre e de 2015 não nega o próximo tombo


Publicado em: 14/03/2016 às 19:00hs

Estabilização do PIB vai depender do cenário político, dizem economistas

Se ainda não é possível afirmar que indicadores de atividade exibem melhora, é possível reconhecer que há sinais de estabilização na piora dos dados concordam alguns economistas. Isso não significa dizer que o Produto Interno Bruto (PIB) escapará de boa queda neste ano. A revisão de projeções provocada pela divulgação do PIB do quarto trimestre e de 2015 não nega o próximo tombo.

Sinais- Marco Caruso, economista­chefe do Pine, é um dos analistas que reconhece sinais de redução do ritmo de queda da atividade, tanto pela aparente estabilização de alguns índices de confiança como pela estabilização da queda na dispersão de diversos dados antecedentes e coincidentes. Na comparação com o trimestre anterior, Caruso calcula que a economia sairá do negativo no terceiro trimestre deste ano. Apesar da mudança do sinal na taxa de crescimento, o ritmo será insuficiente para neutralizar a queda acumulada.

Recuperação lenta- "Em termos anuais ­ em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior ­ projetamos o fundo do poço neste primeiro trimestre com recuperação lenta ao longo dos trimestres seguintes. A princípio, trabalhamos com queda de 6,1% ao ano para o primeiro trimestre, o que corresponde a ­1% no trimestre sobre trimestre, livre de efeitos sazonais", diz Caruso.

Menos negativas- O economista usa a figura "fundo do poço" para indicar que, neste primeiro trimestre, no cálculo da variação do PIB ano contra ano a "pior queda" será os 6,1%. "A partir desse ponto, as quedas serão menos negativas", explica.

Primeiro trimestre- A melhora gradual de cenário tira a economia da queda de 6,1% (pelo cálculo anual) no primeiro trimestre para variações menores e menores até fechar o ano em queda de 3,6%. "O viés para os nossos números é negativo", afirma. Ele entende que o "recrudescimento das discussões políticas, que deverão se arrastar por mais tempo (com todas as implicações negativas para a confiança e a clareza com o cenário prospectivo) nos sugere que novos efeitos não econômicos entrarão em cena".

Volatilidade - Em recente revisão de cenário, o economista­chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, alertou os investidores para a volatilidade que irá marcar os negócios neste ano, mas reconheceu que o realinhamento de preços relativos, o câmbio em patamar adequado e o ajuste no mercado de trabalho, em especial do salário real e em dólar, poderão patrocinar a melhora relativa do país.

Efeitos - Sob certos aspectos, diz Perfeito, 2016 no plano doméstico sentirá os efeitos mais duros do ajuste em curso. Mas considera "provável" que a inflação comece a ceder no acumulado em 12 meses, ainda que em escala menor que a inicialmente esperada, por não descartar a possibilidade de uma elevação adicional do preço da gasolina a depender de como for calibrado o aumento dos impostos.

Mercado acionário- Outro possível alívio, citado pelo economista do Gradual, virá do mercado acionário. "Se o processo de impeachment for bem­sucedido, no sentido de apaziguar o mal­estar político e se ficar claro que os juros tendem a cair a partir do fim de 2016, haverá espaço para a bolsa de valores antecipar um movimento de alta", diz. O cenário externo permanece muito incerto.

Câmbio - O ajuste do câmbio, que Perfeito estima permanecerá em torno de R$ 4 durante este ano, e o ajuste dos salários reais são dois indicadores relevantes para colocar em ordem a economia e que podem construir as bases para a futura retomada. "Trabalho com a hipótese de crescimento na margem igual a zero no terceiro e no quarto trimestres, considerando trimestre contra trimestre, e fecharemos este ano com PIB em queda de 3,82%."

Pessimismo - Fabio Silveira, da GO Associados, está na ponta mais pessimista das projeções para o PIB deste ano – prevê retração de 4,2%. Nilson Teixeira, economista­chefe do Credit Suisse, divulgou estimativa de queda do PIB também de 4,2%.

Oferta - Silveira pondera que, sob a ótica da oferta, concorrem para esse declínio ainda maior do crescimento neste ano, a retração de 4,3% no setor de serviços, em função da queda no volume real do crédito à pessoa física, e o declínio da massa real de rendimento; queda de 5,2% da indústria, dada a expectativa de contínua contração do setor.

Fonte: Portal Paraná Cooperativo

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