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ECONOMIA: Especialistas preveem longo processo de recuperação

Os mercados internacionais e o brasileiro estão reagindo bem à aprovação do impeachment pela Câmara dos Deputados


Publicado em: 25/04/2016 às 19:10hs

ECONOMIA: Especialistas preveem longo processo de recuperação

Os mercados internacionais e o brasileiro estão reagindo bem à aprovação do impeachment pela Câmara dos Deputados, mas será necessário ir adiante com reformas na política econômica para o país retomar o crescimento e esse processo de recuperação poderá levar anos, avaliaram especialistas em evento organizado pela Câmara de Comércio Brasil ­Estados Unidos, no Harvard Club, em Nova York.

Processo muito longo - "Mesmo se tivermos as melhores políticas e começar urgentemente com o que será preciso fazer, será um processo muito longo", disse a economista Monica De Bolle, do Peterson Institute. Para ela, o país poderá sofrer uma queda de 12% a 15% no PIB per capita nos próximos anos e será preciso muito tempo para recuperar.

Expectativas melhores - "Os mercados estão reagindo bem ao impeachment porque veem um futuro melhor ou estão com expectativas melhores", resumiu Paulo Vieira da Cunha, sócio da Vernbank, consultoria na área de agricultura. Apesar de essa melhora ter sido verificada, será preciso avançar em reformas e a principal, segundo os especialistas, será a fiscal. "O fundamental será retomar o equilíbrio fiscal", enfatizou Cunha. "A responsabilidade fiscal no Brasil foi muito mal tratada no país", disse Monica.

Começo - O professor emérito da Universidade de Colúmbia, Albert Fishlow, avaliou que o processo de impeachment não vai solucionar os problemas do Brasil. Para ele, mesmo que as medidas comecem a ser adotadas agora, o país vai levar de três a quatro anos para se recuperar economicamente. "É só o começo de um processo que demandará muito tempo para terminar", disse Fishlow.

Dificuldades políticas e econômicas - "De um lado, temos todas as dificuldades políticas e, de outro, a economia. Imaginando que tudo seja resolvido dentro de poucos meses, e o Brasil volte a crescer sem parar, temos que lembrar que a economia, agora, tem algo em torno de 18% de poupança e, comparando com outros países, isso é muito pouco. Para conseguir poupança, é necessário reduzir o consumo, o que é um problema seríssimo. Estamos no começo, e não no fim." Segundo Fishlow, o Brasil ainda terá grandes problemas políticos que não serão resolvidos pelo impeachment. "Muitos acham que o Brasil resolveu tudo e estão um pouco enganados."

Emenda constitucional - Carlos Kawall, economista­chefe do Banco Safra, defendeu a aprovação de emenda constitucional para garantir a implementação de mudanças que o país vai necessitar após a tramitação do processo de impeachment. Segundo ele, é preciso desvincular os gastos do Orçamento, rever os pagamentos de pensões, as idades mínimas da aposentadoria e obter superávit primário para o país voltar a crescer. "Ouvimos que o vice­presidente Michel Temer está procurando medidas para desvincular os gastos do Orçamento", disse.

Orçamento - "A bala de prata seria propor uma emenda constitucional", afirmou, dizendo que o país tem que ter mais liberdade no Orçamento, enfrentar a atual vinculação dos gastos e fazer superávit primário. Segundo Kawall, não é mais possível pensar em crescimento com propostas de recuperar o equilíbrio fiscal apenas em 2018 e em 2019. É preciso atuar sobre a Previdência e a indexação das pensões, rever as idades mínimas e as contas dos Estados. "Acredite ou não, teremos que mudar a Constituição para conseguir essas medidas." O economista advertiu que o país necessita de "um choque fiscal de emergência".

Dificuldades - Carlos Eduardo Gonçalves, economista­sênior do FMI e professor da USP, advertiu para as dificuldades que o novo governo terá para implementar mudanças, como barganhas políticas "com muitos atores ao mesmo tempo". "Será preciso uma composição política", disse. Gonçalves também ressaltou que o país precisa modificar sua atual situação fiscal. "A questão mais importante é a mudança na política fiscal e estou pensando em como vamos conseguir fazer ajustes diante de um cenário político muito mais complicado."

Fonte: Portal Paraná Cooperativo

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