Publicado em: 14/12/2023 às 11:50hs
Uma vez que inflação caiu para patamares mais confortáveis, o Banco Central do Brasil passou iniciar o começo do ciclo de corte de juros no país, algo que beneficiou ativos de risco e criou um ambiente mais propício para expansão do PIB.
Contudo, alguns sinais preocupam e precisam ser considerados. Taxa de investimento e poupança bruta estão caindo no país, um sinal de que a capacidade produtiva do país pode ter mais dificuldades no futuro, pois depende de capital para sua expansão

A taxa de crescimento do produto interno bruto (PIB) brasileiro no terceiro trimestre de 2023 foi de 0,1%, elevando o acumulado do ano para 3,2%. A tendência é que esse patamar seja mantido ao final de 2023. Nesse contexto, ativos de risco, refletidos no Índice Ibovespa, acumularam ganhos nos últimos meses, e o dólar tem se mantido estável, abaixo de R$ 5,00.
“No entanto, outros dados trazem preocupação e devem ser considerados com atenção. A taxa de investimento no país está caindo, assim como a formação bruta de poupança. Isso tende a diminuir o potencial de crescimento no longo prazo. Ainda, o equilíbrio fiscal do país parece que levará mais tempo para ser alcançado, o que pode pressionar a inflação em algum momento, elevando a incerteza e propiciando um ambiente para juros mais elevados”, diz Victor Arduin analista de Macroeconomia e Energia da companhia.

O Banco Central do Brasil (Bacen) começou a reduzir a taxa básica de juros (Selic) em agosto de 2023. Desde então, o mercado acionário brasileiro tem se apreciado, refletindo o maior apetite ao risco dos investidores.
“A expectativa é que o Bacen continue a reduzir a Selic no encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira (13), com uma provável queda de 50 pontos-base (bps). Não só o cenário doméstico, mas também o internacional anima”, comenta Victor.
Dados dos EUA mostram que a inflação está convergindo para a meta de 2%, com sinais de desaceleração do mercado de trabalho, ainda que resiliente. Isso fortalece o cenário de corte de juros na maior economia do mundo ainda no primeiro semestre de 2024, abrindo caminho para que o Bacen siga política de corte de juros.


Recentemente, dados sobre o PIB surpreenderam, com crescimento de 0,1% (projeções apontavam -0,3%). Olhando componentes da produção, serviços e indústria foram os principais destaques, com crescimento de 0,6% em ambos os setores. Agricultura, que teve um crescimento excepcional no primeiro trimestre do ano, registrou -3,3% no último trimestre, apagando parte de seus ganhos acumulados em 2023.
“De maneira geral, as projeções indicam que o Brasil deverá crescer em torno de 3% neste ano, um desempenho bastante positivo dado o ambiente de juros altos e restritivos. Contudo, há alguns pontos de atenção que devem ser observados”, aponta.
A taxa de investimento e poupança caiu de 18,3% para 16,3% em comparação ao mesmo período do ano passado. Por enquanto, a economia reflete o otimismo do processo de desinflação do país. No entanto, é importante pensar no desenvolvimento sustentável no longo prazo, que depende de investimento, e está caindo no momento.
Se por um lado os dados da economia trazem otimismo, por outro lado a crescente dívida do país preocupa e pode ser um obstáculo ao crescimento do país no futuro. Apesar do esforço do governo em melhorar o resultado primário, por meio de maior arrecadação, a dívida líquida continua aumentando com novos gastos do governo.
“Caso o equilíbrio fiscal não seja alcançado no médio prazo, isso deverá resultar em maiores juros na economia em algum momento, caso o Bacen siga firme em seu objetivo de manter a inflação em 3% de 2024 a 2026. Alternativamente, o governo pode trocar a meta de inflação, acomodando um ambiente de preços mais elevados. No entanto, isso resultaria em um choque nas expectativas dos investidores, diminuindo a atratividade do país e prejudicando seu crescimento de médio e longo prazo”, observa.

Em resumo, a forte expansão do PIB este ano mostra que os juros talvez não estivessem em um patamar tão restritivo como se pensava, mas, com a inflação sob controle e convergindo para a meta, não há motivos para alterar o ritmo do corte de juros.
Crescimento econômico do Brasil tem surpreendido no período pós-pandemia, provavelmente resultado de reformas estruturais dos últimos anos que ajudaram a trazer mais dinamismo para a economia brasileira, como a autonomia do Banco Central, por exemplo. No entanto, o país ainda enfrenta desafios significativos. O equilíbrio fiscal tem sido uma das principais dificuldades da política brasileira, pois a pressão por mais gastos públicos tem prejudicado o resultado primário, mesmo com um grande esforço de aumento da arrecadação.
Fonte: hEDGEpoint Global Markets
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