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Economia brasileira desacelera em meio à tensão global e incertezas eleitorais, aponta Rabobank

Relatório destaca pressão do cenário internacional sobre dólar, juros e atividade econômica no Brasil, enquanto mercado acompanha eleições de 2026 e avanço das commodities


Publicado em: 27/05/2026 às 10:50hs

Economia brasileira desacelera em meio à tensão global e incertezas eleitorais, aponta Rabobank

A economia brasileira entrou em um período de maior cautela diante da combinação entre tensões geopolíticas, incertezas fiscais e o avanço das discussões eleitorais para 2026. A avaliação é do novo relatório do Rabobank, divulgado nesta terça-feira (26), que aponta desaceleração gradual da atividade econômica brasileira e aumento da sensibilidade do mercado financeiro aos acontecimentos internacionais.

Segundo o banco, o cenário externo segue dominado pelas incertezas envolvendo o conflito entre Estados Unidos e Irã, além das expectativas em torno da política monetária norte-americana e da possível recuperação global do dólar. No ambiente doméstico, as pesquisas eleitorais e os riscos fiscais também passaram a influenciar diretamente o comportamento dos ativos brasileiros.

Dólar deve voltar a subir frente ao real

O Rabobank revisou sua projeção para o dólar no fim de 2026 para R$ 5,35, ainda abaixo da estimativa anterior de R$ 5,40, mas mantendo a expectativa de valorização da moeda norte-americana ao longo do ano.

De acordo com os economistas da instituição, o real permanece vulnerável à redução do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, além da fragilidade do quadro fiscal brasileiro em ano eleitoral.

O relatório destaca ainda que o dólar encerrou a última semana cotado a R$ 5,0046, com o real registrando um dos piores desempenhos entre moedas emergentes no período.

PIB perde força e atividade econômica desacelera

O documento mostra que o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do PIB, caiu 0,67% em março na comparação mensal, resultado pior que o esperado pelo mercado.

A desaceleração atingiu indústria, serviços e agropecuária, indicando perda de ritmo da economia brasileira no primeiro trimestre de 2026.

Apesar disso, o Rabobank projeta crescimento de 1,8% para o PIB brasileiro neste ano, sustentado parcialmente pela força do agronegócio, mercado de trabalho ainda resiliente e exportações aquecidas.

A expectativa é de que o PIB do primeiro trimestre mostre avanço de 1,5% na comparação anual e crescimento de 0,9% frente ao trimestre anterior.

Agronegócio ganha força com commodities agrícolas

No mercado de commodities, os produtos agrícolas apresentaram desempenho positivo, mesmo diante da volatilidade global provocada pelo petróleo e pelos conflitos internacionais.

Entre os destaques:

  • Soja subiu 1,7% na semana;
  • Milho avançou 1,6%;
  • Trigo teve alta de 1,7%;
  • Café acumulou valorização de 2%.

O relatório aponta que a valorização das commodities agrícolas ajuda a sustentar parte da balança comercial brasileira, amenizando os impactos negativos da desaceleração econômica.

Petróleo elevado reforça arrecadação do governo

Outro fator observado pelo mercado é a alta do petróleo no cenário internacional. O Rabobank afirma que o aumento dos preços da commodity já começa a gerar impacto positivo na arrecadação federal, especialmente sobre receitas ligadas ao setor de óleo e gás.

A arrecadação federal somou R$ 278,8 bilhões em abril, registrando crescimento real de 7,8% em relação ao mesmo período do ano passado — o melhor resultado histórico para o mês.

Segundo o relatório, o avanço foi impulsionado por:

  • aumento da arrecadação de IOF;
  • maior recolhimento de IR e CSLL;
  • crescimento das receitas previdenciárias;
  • ganhos relacionados ao setor de petróleo e gás.
Mercado monitora eleições de 2026

No campo político, o Rabobank destacou o impacto crescente das pesquisas eleitorais sobre os ativos financeiros brasileiros. Os levantamentos mais recentes apontam liderança estável do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas intenções de voto, embora ainda sem definição em primeiro turno.

O banco também observou sinais de enfraquecimento de Flávio Bolsonaro em alguns institutos de pesquisa, enquanto nomes da chamada terceira via seguem pulverizados.

Para os analistas, o ambiente eleitoral tende a aumentar a volatilidade dos mercados ao longo dos próximos meses, especialmente diante das preocupações com gastos públicos e sustentabilidade fiscal.

Selic elevada e inflação seguem no radar

A instituição financeira projeta taxa Selic em 13,25% ao final de 2026, indicando manutenção de juros elevados por mais tempo devido às incertezas inflacionárias e fiscais.

O relatório também destaca preocupação do Banco Central com programas de estímulo ao crédito e renegociação de dívidas, como o novo Desenrola e linhas especiais para motoristas de aplicativo e taxistas, que podem estimular o consumo e dificultar o controle da inflação.

Além disso, os economistas alertam que os riscos geopolíticos seguem elevados, principalmente pela indefinição sobre um acordo entre EUA e Irã e pelos efeitos da alta do petróleo sobre a inflação global.

Fonte: Portal do Agronegócio

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