Brasil

Dólar sobe com nomeação de Kevin Warsh no Fed e expectativa sobre política monetária no Brasil

Moeda americana volta a ganhar força e reflete cenário global de cautela, decisões do Banco Central e ajustes da Ptax


Publicado em: 30/01/2026 às 11:00hs

Dólar sobe com nomeação de Kevin Warsh no Fed e expectativa sobre política monetária no Brasil
Dólar opera próximo de R$ 5,20 com foco nas decisões econômicas

O dólar iniciou esta sexta-feira (30) em leve alta frente ao real, cotado em torno de R$ 5,20, acompanhando o movimento global após a nomeação de Kevin Warsh como novo presidente do Federal Reserve (Fed), anunciada pelo presidente Donald Trump.

No Brasil, o comportamento da moeda também é influenciado pela formação da Ptax de fim de mês, taxa calculada pelo Banco Central com base nas negociações do mercado à vista e usada como referência para liquidação de contratos futuros. O indicador costuma gerar maior volatilidade nos últimos dias de cada mês, quando investidores ajustam suas posições compradas ou vendidas em dólar.

Cenário internacional impulsiona dólar e pressiona ativos de risco

No mercado externo, o dólar ganhou força frente a outras moedas importantes, como o euro e a libra, após o anúncio da nova liderança do Fed. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de divisas, avançou cerca de 0,2%.

A definição de Kevin Warsh trouxe cautela aos investidores, que agora esperam sinalizações sobre os próximos passos da política monetária americana. Esse movimento refletiu também nos ativos de risco, com quedas nas bolsas internacionais e recuo do Bitcoin, em meio a um ambiente de menor apetite por risco.

Política monetária do Brasil mantém Selic elevada, mas cortes podem vir

No cenário doméstico, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 15% ao ano, nível mais alto em quase duas décadas, conforme decisão anunciada nesta semana.

O Banco Central destacou a necessidade de prudência na condução da política monetária, apesar da desaceleração da inflação. Economistas do mercado financeiro projetam que o primeiro corte da Selic pode ocorrer em março de 2026, com reduções graduais entre 0,25 e 0,50 ponto percentual, caso o cenário inflacionário continue sob controle.

Ptax e swaps cambiais intensificam movimentações no mercado

Com o fim do mês, o mercado brasileiro também acompanha de perto as intervenções cambiais e as operações de swap do Banco Central, utilizadas para equilibrar o câmbio e controlar a liquidez. Esses instrumentos técnicos, embora pontuais, podem intensificar os movimentos do dólar no curto prazo.

A formação da Ptax, somada ao cenário internacional, explica a oscilação da moeda americana nos últimos dias, com o dólar testando patamares próximos de R$ 5,19 e atingindo máxima de R$ 5,21 durante a sessão.

Fluxo cambial e comportamento do real

Mesmo com o avanço recente, o real apresenta desempenho relativamente positivo em relação ao início do ano, acumulando valorização de cerca de 1,6% na última semana, segundo dados do Banco Central.

Contudo, o Brasil encerrou 2025 com uma das maiores saídas líquidas de dólares da história, o que mantém a moeda americana sob pressão estrutural. Esse desequilíbrio no fluxo cambial reflete, em parte, as incertezas fiscais e os desafios econômicos que ainda limitam uma valorização mais consistente do real.

Perspectivas para o câmbio

A combinação de fatores domésticos e externos continua determinando o comportamento do dólar no Brasil. A manutenção da Selic em patamares elevados, a expectativa por cortes graduais, as operações da Ptax e o novo comando do Fed são variáveis que devem influenciar diretamente o câmbio nas próximas semanas.

Enquanto isso, o mercado segue em compasso de espera por novos sinais de política monetária, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, o que tende a manter a volatilidade do dólar e a cautela entre investidores.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias
/* */ --