Brasil

Dólar Mantém Estabilidade Enquanto Commodities Caem no Mercado Internacional

Volatilidade limitada marca início da semana, com foco em Brasília e nas expectativas sobre a Selic


Publicado em: 02/02/2026 às 10:50hs

Dólar Mantém Estabilidade Enquanto Commodities Caem no Mercado Internacional
Foto: Freepik

O dólar começou a semana operando próximo da estabilidade no mercado brasileiro, refletindo um cenário de menor volatilidade e cautela entre investidores. Nesta segunda-feira (2), a moeda americana era negociada em torno de R$ 5,26, acompanhando o movimento global de queda das commodities e de ajustes nas expectativas econômicas internas.

Cenário Internacional: Commodities em Queda Pressionam Moedas Emergentes

No exterior, o dólar apresenta desempenho misto frente às principais divisas globais. A queda acentuada das commodities — especialmente do petróleo e do minério de ferro — tem impactado o comportamento das moedas de países exportadores, como Brasil, Chile e México.

Segundo analistas, o petróleo recua mais de 4%, enquanto o minério de ferro registra queda superior a 1% na China. O movimento está relacionado à percepção de que as tensões entre Estados Unidos e Irã podem estar arrefecendo, após declarações recentes do presidente americano indicando abertura ao diálogo.

Além disso, a expectativa em torno da política monetária dos Estados Unidos continua influenciando os mercados. A possível indicação de um novo presidente para o Federal Reserve tem fortalecido momentaneamente o dólar em nível global, enquanto investidores reavaliam suas posições em moedas emergentes.

Fatores Internos: Reabertura do Congresso e Expectativas Econômicas

No Brasil, o retorno das atividades do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF) reacende a atenção sobre temas políticos e fiscais, que podem impactar o ambiente econômico e a percepção de risco no país.

O mercado também reage ao novo Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, que manteve a projeção para o dólar ao final de 2026 em R$ 5,50. Já a expectativa para a taxa Selic ficou em 12,25% ao ano, abaixo do atual patamar de 15%. O mercado aposta que o BC deve iniciar o ciclo de cortes nos juros a partir de março, o que pode reduzir gradualmente a atratividade do real, dependendo do ritmo de afrouxamento monetário.

Diferença de Juros e Investimentos Estrangeiros

Mesmo com a perspectiva de queda da Selic, o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos — cuja taxa de referência segue entre 3,50% e 3,75% — continua atraindo investidores estrangeiros. Essa diferença tem sustentado o fluxo de capital para o país e ajudado a conter pressões mais fortes sobre o câmbio nas últimas semanas.

Bolsa e Câmbio: Movimentos do Mercado

Na última sexta-feira (30), o dólar encerrou o pregão em alta de 1,03%, cotado a R$ 5,2476, influenciado por ajustes técnicos e pela formação da taxa Ptax de fim de mês. O Ibovespa, por sua vez, fechou em leve queda de 0,97%, aos 181.364 pontos, refletindo o recuo das ações ligadas ao setor de commodities.

Ainda assim, o desempenho acumulado do mês e do ano segue positivo para o principal índice da bolsa brasileira, que vem sendo impulsionado pela expectativa de melhora no cenário fiscal e de uma retomada gradual da confiança no mercado doméstico.

Perspectivas para os Próximos Dias

Para os próximos dias, o mercado deve acompanhar atentamente os leilões de swap cambial promovidos pelo Banco Central e os novos dados de atividade econômica, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. A combinação entre política monetária, desempenho das commodities e cenário fiscal doméstico deve continuar orientando o comportamento do dólar frente ao real.

No curto prazo, analistas esperam que a moeda americana permaneça oscilando entre R$ 5,20 e R$ 5,30, em linha com a cautela global e a espera por novos indicadores econômicos.

Fonte: Portal do Agronegócio

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