Publicado em: 03/02/2026 às 10:55hs
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil confirmou, na ata da reunião realizada nos dias 27 e 28 de janeiro, que deve iniciar um ciclo de redução da taxa básica de juros (Selic) a partir de março.
A decisão vem após a manutenção da taxa em 15% ao ano, nível mais alto desde 2006, repetido por cinco reuniões consecutivas.
Segundo o documento, o Comitê analisou um amplo conjunto de dados — incluindo a trajetória da inflação e os sinais de transmissão da política monetária — e considerou adequado sinalizar o início da flexibilização caso o cenário econômico siga em linha com as projeções.
Apesar da perspectiva de corte, o Copom destacou a necessidade de manter a Selic em patamar restritivo por mais tempo.
De forma unânime, o Comitê reforçou que juros elevados ainda são necessários até que o processo de desinflação se consolide e as expectativas de inflação estejam ancoradas na meta.
O colegiado reiterou que a condução cautelosa da política monetária tem gerado ganhos desinflacionários e reafirmou seu comprometimento com o mandato do Banco Central de garantir a convergência da inflação à meta de 3% ao ano, dentro do regime de metas vigente.
Inflação e atividade doméstica
De acordo com a ata, o conjunto de indicadores domésticos segue indicando moderação no ritmo da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho continua demonstrando resiliência.
As medidas de inflação subjacente mostram desaceleração, mas seguem acima da meta, com expectativas de 4,0% para 2026 e 3,8% para 2027, segundo a pesquisa Focus.
Ambiente internacional
O Copom também alertou para o ambiente externo ainda incerto, influenciado pela política econômica dos Estados Unidos e pelas tensões geopolíticas, que impactam as condições financeiras globais.
O Comitê avaliou que esse contexto exige cautela especial por parte das economias emergentes, como o Brasil.
Política fiscal e desafios estruturais
Na avaliação do Comitê, a política fiscal tem efeito direto sobre a inflação — tanto pelo estímulo à demanda de curto prazo quanto pela percepção de sustentabilidade da dívida pública no longo prazo.
O Copom ressaltou que uma postura fiscal disciplinada e previsível contribui para reduzir o prêmio de risco e, consequentemente, facilita a convergência da inflação à meta.
O documento ainda alerta que o afrouxamento das reformas estruturais, o aumento do crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida podem elevar a taxa de juros neutra da economia, reduzindo a eficácia da política monetária e aumentando o custo do processo de desinflação.
No mercado financeiro, analistas se dividem sobre o ritmo de flexibilização. Parte aposta em corte de 0,25 ponto percentual na Selic já em março, enquanto outros projetam uma redução de até 0,50 ponto percentual, dependendo da evolução dos dados de inflação e atividade.
O Copom reforçou que o ritmo e a magnitude do ciclo de cortes serão definidos gradualmente, conforme novas informações forem incorporadas ao cenário macroeconômico.
Atualmente, a taxa Selic está em 15% ao ano, mantida desde julho de 2025.
O Banco Central justifica a manutenção do patamar elevado pela persistência da inflação acima da meta e pelas incertezas fiscais e externas que ainda cercam a economia brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
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