Publicado em: 25/01/2016 às 20:30hs
As mensagens levadas aos investidores pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, foram recebidas com relativa frieza. Já o presidente do Banco Central da Argentina, Federico Sturzenegger, disse ter pedido "calma" à elite global e que tem sido "até exagerada" a euforia do mercado com o novo governo.
Sintoma - Um sintoma da perda de prestígio do Brasil foi o almoço organizado pelo Itaú, no qual Barbosa e Sturzenegger dividiram o palco, embora a expectativa maior estivesse concentrada no ministro afinal o principal representante brasileiro no fórum. O almoço recebeu quase 80 empresários, mas pelo menos uma dúzia de altos executivos de multinacionais "deu o bolo" no evento, deixando uma pilha de crachás abandonados na entrada. A lista de "furões" incluía executivos da francobelga Engie, do Grupo Pearson, da China Paye o dono da Polar, maior companhia privada venezuelana.
Mensagem - Barbosa passou a mensagem de que o Brasil passará do "ajuste fiscal" para a adoção de "reformas fiscais" e citou mudanças no regime previdenciário como uma necessidade. Ele admitiu a possibilidade de piora da economia brasileira neste primeiro semestre, mas defendeu que ela se estabilizará na segunda metade do ano e voltará ao crescimento a partir de 2017, contrariando previsão do FMI de expansão zero no ano que vem.
Reação- A reação esteve longe do entusiasmo despertado por Joaquim Levy, que recebeu palmas acaloradas da plateia há um ano, no mesmo almoço, puxadas pelo expresidente mexicano Ernesto Zedillo para quem a nomeação do economista era a "melhor notícia" que poderia vir do Brasil para os frequentadores de Davos.
Tímida - Desta vez, a reação foi bem mais tímida. Ninguém se permitiu em público, claro, a franqueza do médico Hofrat Behrens, personagem de Thomas Mann que soltava gargalhadas quando seus pacientes insistiam em ter alta do sanatório para tuberculosos em Davos, garantindo estar curados. À saída do evento, dois investidores estrangeiros elogiaram o conteúdo das apresentações, mas definiram o argentino como "mais dinâmico".
Diferenciação - Um deles, que atua nos dois países do Mercosul, fez uma diferenciação com base em seus próprios negócios: "A Argentina está estável e com perspectivas de melhorar. O Brasil está em queda e numa situação difícil". Minutos antes e do outro lado da rua, no centro de convenções do Fórum, o economista Kenneth Rogoff citava o Brasil como exemplo das turbulências que continuarão afetando mercados emergentes nos próximos anos.
Comparação - Falando à imprensa brasileira, Sturzenegger preferiu evitar comparações com o Brasil e disse que tem pedido para o mercado conter sua euforia. "Não vamos entrar na loucura de que agora a Argentina está na moda", afirmou.
Palavras de ordem- Segundo ele, as palavras de ordem no governo do presidente Mauricio Macri são "calma e trabalho", antes de comemorar. "Temos cinco anos de trabalho adiante", disse, referindose ao mandato que acabou de iniciar à frente do BC. "Estamos no paradoxo de tentar acalmar os investidores. Tivemos um grande sucesso inicial e agora começa o verdadeiro trabalho."
Sabatina - Macri chegou nesta quarta-feira (20/01) ao vilarejo suíço, em voo comercial, acompanhado dos principais integrantes de seu gabinete como o ministro das Finanças, Alfonso PratGay, e a chanceler Susana Malcorra. Para dar ideia do interesse em torno de sua aparição no fórum, a primeira de um chefe de governo argentino em 13 anos, Macri será sabatinado nesta quinta-feira (21/01) em uma sessão que foi intitulada "A Virada da Argentina".
Balanço positivo- Barbosa fez um balanço positivo de sua estreia internacional no cargo. Para ele, o governo brasileiro entregou as promessas feitas aos investidores em Davos em 2015. Mencionou os cortes de pensões por morte, além de revisões do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) e dos subsídios nas tarifas de energia, como medidas que tinham sido citadas por Levy e realmente saíram do papel.
Avanço - "Isso foi feito. Avançamos na direção correta e na velocidade que foi possível", disse Barbosa, lembrando as restrições políticas. "O Brasil está em um processo de reequilíbrio macroeconômico e enfrenta um ambiente adverso", completou o ministro.
Reunião - Barbosa se reuniu com a diretoragerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, e minimizou as novas projeções do FMI para a economia brasileira. "Estamos no início do ano, com muita volatilidade, e há revisões de vários indicadores", disse o ministro, citando câmbio e commodities. "Agora o necessário é tomar ações para estabilizar a atividade econômica e criar condições para a retomada do crescimento."
Fonte: Informe OCB
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