Publicado em: 09/10/2015 às 11:20hs
Em evento durante a reunião anual do FMI e do Banco Mundial, em Lima (Peru), ele disse que o BC vai manter a política monetária atual para conter a inflação.
"A parte fiscal de nosso ajuste está numa velocidade menor que a pensada originalmente. Isso tem a ver com dificuldades políticas. Mas há consenso crescente em torno da necessidade de esse ajuste fiscal ser processado o mais rápido possível", disse.
A afirmação foi feita em um debate com os presidentes dos bancos centrais do México, do Chile e da Colômbia. Houve consenso entre eles de que os BCs têm capacidade limitada para lidar com os "choques" sofridos atualmente pelas economias latino-americanas, as condições monetárias mundiais e o fim do superciclo dos preços de matérias-primas.
Para ele, a economia brasileira é "relativamente flexível", o que permitirá uma transição para setores ligados à exportação, que serão beneficiados com a desvalorização do real. Isso, segundo ele, impedirá o aprofundamento da retração econômica -o FMI estima que o PIB do país vai encolher 3% neste ano e 1% no ano que vem.
Tombini afirmou que a economia brasileira sofre pressões inflacionárias e disse que o ajuste em vigor terá efeito a longo prazo. Segundo ele, a inflação alta (7,64% nos nove primeiros meses deste ano), tem a ver com a desvalorização do real.
"A política monetária foi ajustada para cuidar disso e fomos capazes de reancorar as expectativas inflacionárias no horizonte mais distante, 2017, 2018, 2019", disse, ressaltando a importância da flutuação do câmbio.
"Nossa meta de inflação já foi reancorada, apesar do aumento da inflação neste ano, que em parte tem a ver com a desvalorização do real, que foi muito significativa".
Analistas consultados semanalmente pelo Banco Central esperam inflação de cerca de 6% em 2016, de 5% em 2017 e de 4,5% nos dois anos seguintes.
Fonte: Folha de S. Paulo
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