Brasil

Atividade econômica brasileira recua 0,2% em setembro, aponta Banco Central

Desempenho econômico tem leve retração no mês


Publicado em: 19/11/2025 às 10:45hs

Atividade econômica brasileira recua 0,2% em setembro, aponta Banco Central

A atividade econômica do Brasil registrou queda de 0,2% em setembro deste ano, conforme dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (17/11). O resultado é referente ao Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), calculado com base em dados dessazonalizados — ou seja, ajustados às variações típicas do período.

No acumulado do terceiro trimestre de 2025, de julho a setembro, o índice apresentou retração de 0,9% frente ao trimestre anterior, refletindo a desaceleração de alguns setores produtivos.

Comparação anual mostra avanço expressivo

Apesar da queda mensal, a comparação com setembro de 2024 mostra crescimento de 4,9% na atividade econômica, considerando os dados sem ajuste sazonal.

No acumulado de 2025, o IBC-Br apresenta alta de 14,2%, e no período de 12 meses encerrados em setembro, o crescimento acumulado é de 13,5%.

IBC-Br é indicador usado para orientar política de juros

O IBC-Br é uma ferramenta usada pelo Banco Central para acompanhar o comportamento da economia e subsidiar as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic, atualmente fixada em 15% ao ano.

O índice considera dados de indústria, comércio, serviços, agropecuária e arrecadação de impostos, oferecendo uma visão ampla do nível de atividade do país.

Selic alta contém inflação, mas limita crescimento

A Selic é o principal instrumento do BC para o controle da inflação. Quando a taxa de juros é elevada, o objetivo é conter a demanda e reduzir a pressão sobre os preços, embora isso possa frear o crescimento econômico.

Por outro lado, quando a Selic é reduzida, há estímulo ao crédito e ao consumo, o que favorece a atividade econômica, mas pode elevar os índices inflacionários.

Inflação desacelera com redução na conta de luz

A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficou em 0,09% em outubro, o menor resultado para o mês desde 1998, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A queda foi influenciada principalmente pela redução na conta de energia elétrica.

Nos últimos 12 meses, a inflação acumulada chegou a 4,68%, abaixo de 5% pela primeira vez em oito meses, mas ainda acima do teto da meta estabelecida em 4,5%.

BC mantém juros e monitora cenário internacional

Com a inflação em desaceleração e a atividade econômica em ritmo mais lento, o Copom decidiu manter a Selic em 15% ao ano pela terceira reunião consecutiva.

O BC destacou, porém, que pode voltar a elevar os juros se considerar necessário.

A taxa segue no maior patamar desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano.

Em nota, o Banco Central ressaltou que o ambiente externo segue incerto, com destaque para os efeitos da política econômica dos Estados Unidos, que têm impactado as condições financeiras globais. No cenário doméstico, o BC observou que, mesmo com a desaceleração da economia, a inflação ainda permanece acima da meta, o que tende a manter os juros elevados por mais tempo.

Diferenças entre o IBC-Br e o PIB

Embora o IBC-Br seja amplamente utilizado como termômetro da economia, o indicador não substitui o Produto Interno Bruto (PIB), que é a medida oficial do desempenho econômico calculada pelo IBGE.

Segundo o BC, o índice serve para auxiliar na formulação da política monetária, mas não deve ser considerado uma prévia exata do PIB.

O PIB, que representa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos no país, cresceu 0,4% no segundo trimestre de 2025, impulsionado pelos setores de serviços e indústria.

Em 2024, a economia brasileira encerrou o ano com expansão de 3,4%, o quarto ano consecutivo de crescimento e o maior avanço desde 2021, quando o PIB havia aumentado 4,8%.

Fonte: Portal do Agronegócio

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