Brasil

Alívio na inflação

A inflação anual tem se situado acima do limite de 6,5% desde julho de 2014, com exceção de um mês


Publicado em: 16/03/2016 às 14:30hs

Alívio na inflação

Desde então, esteve em alta quase contínua. Agora, contudo, parece que o IPCA enfim vai começar a declinar. A variação dos preços desacelerou de janeiro para fevereiro, de 10,7% ao ano para 10,35%.

De acordo com as atuais estimativas do setor privado, recolhidas semanalmente pelo Banco Central, o IPCA chegaria à casa dos 8% em meados do ano e à dos 7% no final de 2016. Sempre acima da meta.

Apesar desse nível de preços elevado até dezembro, a baixa do IPCA contribuiria para atenuar a crise. Preços em alta menos agressiva tendem a amainar o pessimismo dos consumidores, por exemplo. Ademais, podem levar o Banco Central a reduzir a taxa básica de juros, a Selic, a partir de agosto.

Em meio a tantos e tamanhos desastres, é uma esperança razoável de boa notícia. Há riscos, contudo.

No momento, observa-se uma calmaria no mercado financeiro internacional, e os investidores animaram-se com a perspectiva do fim do governo da presidente Dilma Rousseff (PT), o que provocou uma forte baixa do preço do dólar.

Reviravoltas no exterior, uma convulsão política ou um descontrole maior dos gastos do governo podem provocar nova rodada de desvalorização do real. Caso a taxa de câmbio permaneça comportada, no entanto, haverá menos pressão de alta sobre os preços.

Acredita-se que os efeitos negativos do clima sobre o preço dos alimentos vão se dissipar a partir do segundo trimestre -em termos anuais, a inflação de alimentos e bebidas ainda sobe 13,2%.

Outro fator de risco são reajustes adicionais de tarifas de serviços públicos ou novos aumentos de impostos, em especial nos Estados, que recorrem ao expediente devido à penúria da arrecadação. De qualquer modo, pelo menos as tarifas de energia elétrica vão começar a diminuir.

A princípio, pelos dados disponíveis, o cenário para a inflação tornou-se um tanto mais benigno, até porque a recessão continua a derrubar o consumo. As vendas no varejo caem ao ritmo de 5,2% ao ano; os serviços, a quase 4%.

O risco maior ainda deriva da crise política e de possíveis novos desvarios do governo. O fim dessa fonte de tumultos e preocupações certamente desanuviaria a paisagem econômica.

Fonte: Folha de S. Paulo

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