Publicado em: 07/07/2026 às 17:30hs
O Acre vive um dos melhores momentos de sua economia. O estado superou as metas estabelecidas para as exportações na Agenda Acre 10 Anos (2023-2032), ampliou sua presença no mercado internacional e alcançou o maior Produto Interno Bruto (PIB) per capita de sua história. Os resultados reforçam o fortalecimento da produção agropecuária, dos setores extrativistas e das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico.
De acordo com dados da Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan), as exportações acreanas somaram US$ 98,9 milhões, valor superior em mais de US$ 28 milhões à meta prevista para o período. Paralelamente, o PIB per capita estadual atingiu R$ 31,7 mil, superando em mais de 70% o objetivo estabelecido pela Agenda Acre 10 Anos.
Os números mais recentes do Boletim do Comércio Exterior do Acre, referentes a maio de 2026, mostram que o estado exportou produtos para 26 países, demonstrando o avanço da inserção internacional da economia acreana.
A Turquia liderou as compras dos produtos do estado no mês, com importações de soja que totalizaram US$ 3,40 milhões, respondendo por 25,2% das exportações do período.
No acumulado do ano, a soja permanece como o principal produto exportado pelo Acre, com receitas de US$ 15,86 milhões, equivalentes a 29,3% do total embarcado. Em seguida aparecem:
Mesmo sem expansão significativa da área cultivada, a produção de soja cresceu graças aos ganhos de produtividade obtidos pelos produtores rurais.
Entre os fatores que contribuíram para esse desempenho estão:
Segundo o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Acre (Faeac), Assuero Veronez, a eficiência do produtor acreano permitiu elevar a produção, embora o setor continue enfrentando desafios.
Ele destaca que a queda dos preços da soja contrasta com custos elevados de produção, especialmente em relação aos insumos, combustíveis e fretes, que possuem peso ainda maior devido às limitações logísticas do estado.
Outro indicador que evidencia a evolução da economia acreana é o crescimento do PIB per capita.
O índice passou de R$ 17,6 mil, em 2018, para R$ 31,7 mil em 2023, tornando-se o maior já registrado no estado.
O indicador representa a riqueza produzida por habitante e demonstra o fortalecimento da atividade econômica e da geração de renda.
Segundo a economista Joquebede Oliveira, responsável pelo levantamento da Divisão de Estatísticas e Monitoramento de Indicadores da Seplan, o resultado reflete o avanço das políticas voltadas ao desenvolvimento econômico, à diversificação produtiva e à geração de empregos.
Os resultados fazem parte do monitoramento da Agenda Acre 10 Anos, instrumento de planejamento estadual previsto na Constituição do Acre.
O programa estabelece metas de longo prazo para orientar investimentos públicos, acompanhar indicadores estratégicos e avaliar o desempenho das políticas governamentais.
De acordo com o diretor de Desenvolvimento Regional da Seplan, Marky Brito, o acompanhamento contínuo permite identificar avanços, corrigir estratégias e aperfeiçoar a gestão pública com base em indicadores técnicos.
Uma das principais estratégias para fortalecer o comércio exterior acreano é a ampliação da integração econômica com países vizinhos.
Segundo o secretário de Indústria, Ciência e Tecnologia, Márcio Agiolfi, o governo estadual intensificou ações voltadas à aproximação comercial com Peru e Bolívia, além da participação em missões empresariais, rodadas de negócios e feiras internacionais.
A iniciativa busca consolidar o Acre como corredor logístico entre o Brasil e o Oceano Pacífico, ampliando o acesso das empresas locais aos mercados internacionais.
Apesar dos avanços, o secretário ressalta que ainda existem desafios relacionados à infraestrutura, redução dos custos logísticos, consolidação de rotas comerciais e ampliação da escala produtiva.
Parte importante desse crescimento econômico está associada aos investimentos em pesquisa e inovação no setor agropecuário.
Pesquisas desenvolvidas pela Embrapa Acre contribuíram para elevar a produtividade da pecuária por meio de tecnologias como:
Com essas tecnologias, propriedades rurais passaram a suportar até três unidades animais por hectare, alcançando produção entre 12 e 15 arrobas de carne por hectare ao ano.
Além disso, o uso de sistemas integrados com gramíneas e leguminosas já foi implantado em mais de 90 mil hectares, proporcionando benefícios estimados em R$ 170 milhões anuais aos produtores acreanos.
Para o gerente de Assessoria Internacional do Sebrae, Vinicius Lages, o Acre reúne condições favoráveis para ampliar investimentos em alimentos, bioinsumos e biotecnologia.
Segundo ele, empresas locais vêm demonstrando capacidade de transformar a biodiversidade amazônica em produtos com maior valor agregado para os mercados nacional e internacional.
Durante o evento "Conexões Produtivas: Oportunidades para a Indústria no Acordo Mercosul-União Europeia", realizado em Rio Branco, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, destacou o desempenho histórico do estado no comércio exterior e afirmou que o Acre vive seu melhor momento em exportações.
Mesmo diante das oscilações do comércio internacional, o Acre mantém trajetória positiva graças ao desempenho da agropecuária, do extrativismo e das políticas públicas voltadas ao fortalecimento da produção e da inserção internacional.
O avanço das exportações, aliado aos ganhos de produtividade e ao crescimento da renda por habitante, reforça o papel estratégico do agronegócio como um dos principais motores da economia acreana e amplia as perspectivas de expansão nos próximos anos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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