Publicado em: 23/10/2015 às 11:50hs
A economia brasileira "precisa de crescimento já", declarou o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, nesta quinta-feira (22) após reunião do chamado “conselho de líderes” do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), em Brasília. Segundo ele, é importante que o país tenha um orçamento de 2016 "robusto" e que dê a "tranquilidade necessária para os negócios no Brasil voltarem a crescer".
"A questão da capacidade de o governo se financiar, evidentemente, vem de uma adequada equação orçamentária que começa com o orçamento de 2016. Começa com uma otimização de certos gastos, priorização dos gastos, e economias em melhoras de serviços em algumas transferências. Você tem mais recursos para investimentos", disse o ministro.
De acordo com Levy, com equilíbrio macroeconômico, há uma facilitação das condições gerais de financiamento da economia. "Então, eu acho que você dá uma excelente luz da importância de a gente acelerar e chegar a um orçamento de 2016 robusto e que dê a tranquilidade necessária para os negócios no Brasil voltarem a crescer. A gente precisa de crescimento e de crescimento já", acrescentou.
Para o próximo ano, o governo fixou uma meta de superávit primário - economia feita para pagar juros da dívida pública - de 0,7% do PIB, ou R$ 43,8 bilhões para todo o setor público. Como forma de atingir esse resultado, anunciou, em meados de setembro, um pacote de alta de tributos, incluindo o retorno da CPMF, e de contenção de gastos.
Previsões para o PIB
A necessidade de crescimento apontada pelo ministro da Fazenda não encontra, porém, respaldo nos números atuais da economia brasileita e nem mesmo nas projeções de analistas. Atualmente, o Brasil passa por um quadro de recessão, com previsão de que o Produto Interno Bruto (PIB) recue 3% neste ano - a maior queda em 25 anos, desde 1990.
Para 2016, os economistas das instituições financeiras estimam uma retração de 1,22% na economia do país. Se a previsão se concretizar, será a primeira vez que o país registra dois anos seguidos de contração na economia – a série histórica oficial, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem início em 1948.
O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o comportamento da economia brasileira. Na semana passada, a "prévia" do PIB do BC indicou uma contração de 2,99% até agosto.
Segundo o ministro da Fazenda, um dos caminhos para o Brasil voltar a crescer são as fontes sustentáveis de energia.
"A indústria eólica tem sido fundamental, em um momento de desafio hídrico, para o Nordeste continuar tendo energia elétrica. E a maneira de diálogo é um dos caminhos para estar construindo novas oportunidades em um momento que a gente vai equilibrando o macro, com menos disponibilidades financeiras. A gente está criando novas oprotunidades para a indústria, para o desenvolvimento tecnológico e para ter uma economia cada vez mais limpa", declarou Levy.
Revisão da meta fiscal de 2015
Questionado sobre a meta fiscal para o ano de 2015, em um momento no qual o governo trabalha para revisá-la, segundo informou o titular do Planejamento, Nelson Barbosa, nesta quarta-feira (21), Levy desconversou: "a meta estabelecida pela presidente em Nova York [de redução de emissão de carbono], eu acho que a ministra [Izabela Teixeira, do Meio Ambiente, que estava ao seu lado] pode explicar melhor", brincou Levy.
Se confirmada a mudança, será a segunda alteração na meta fiscal deste ano. No fim de 2014, o governo fixou uma meta de superávit primário - a economia para pagar juros da dívida pública e tentar manter sua trajetória de queda - de 1,2% do PIB, o equivalente a R$ 66,3 bilhões para todo o setor público (governo, estados, municípios e empresas estatais).
Em julho, porém, a meta foi revisada para 0,15% do PIB, ou R$ 8,7 bilhões para este ano - valor que pode novamente recuar. A previsão dos economistas dos bancos, em pesquisa conduzida pelo Banco Central com mais de 100 instituições financeiras na semana passada, é de um déficit primário de 0,3% do PIB para o ano de 2015. Segundo o blog do Camarotti, o déficit no orçamento de 2015 deve ser de, ao menos, R$ 50 bilhões.
Fonte: G1
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