Publicado em: 27/01/2026 às 13:00hs
Transformar frutas e hortaliças em geleias, compotas e conservas tem se tornado uma estratégia eficiente para agricultores do Paraná ampliarem a renda, evitarem perdas na safra e diversificarem a produção. Essa prática é destaque da edição de janeiro do Projeto Orgulho Paraná, promovido pelo Sistema FAEP, que valoriza a agroindústria artesanal e dá visibilidade a produtores de várias regiões do Estado.
O Paraná é um dos principais produtores de frutas do país, com uma produção anual de 1,3 milhão de toneladas, que movimenta cerca de R$ 4 bilhões em Valor Bruto da Produção (VBP). Entre os municípios de maior destaque estão Paranavaí (10,36%), Carlópolis (6%) e Alto Paraná (4,49%).
De acordo com Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP, o projeto reforça a importância de agregar valor dentro das propriedades rurais.
“Quando o produtor transforma a matéria-prima, ele passa a comercializar um alimento com identidade e história, fortalecendo a renda no campo e aproximando o consumidor do trabalho rural”, destaca Meneguette.
No Sudoeste do Estado, em Clevelândia, a Cooperativa Duas Irmãs é exemplo de sucesso no processamento de frutas e verduras. Formada por famílias de agricultoras, a cooperativa produz conservas e compotas com ingredientes cultivados nas próprias propriedades, respeitando a sazonalidade e evitando desperdícios.
Para Fabiana Carpes, representante da cooperativa, a atividade representa mais do que geração de renda:
“Hoje, a produção de conservas significa dignidade, autonomia e esperança. É a oportunidade de cada mulher contribuir com seu próprio trabalho e sentir orgulho do que faz”, afirma.
Em Bela Vista da Caroba, Raquel Doneda encontrou no processamento de frutas e legumes uma forma de manter a produção ativa o ano todo.
“Transformar o que produzimos em conservas e compotas permite oferecer o produto mesmo fora da safra. Assim, evitamos perdas e garantimos aproveitamento total da colheita”, explica.
Na Região Metropolitana de Curitiba, em São José dos Pinhais, Márcia Vailati transformou a produção artesanal em um atrativo do turismo rural. Após realizar cursos de capacitação do Sistema FAEP em 2010, ela estruturou um negócio familiar que utiliza frutas cultivadas na propriedade, como morango, amora, goiaba e ponkan.
“Esse trabalho complementa a renda da família. Tenho orgulho de dizer que tudo começou com o aprendizado adquirido nos cursos da FAEP”, conta.
Os participantes do Projeto Orgulho Paraná são indicados pelos sindicatos rurais e têm seus produtos expostos na sede do Sistema FAEP, em Curitiba. Cada item é acompanhado de um QR Code, que permite ao público conhecer detalhes sobre a origem e o processo de produção.
Para os agricultores, o reconhecimento é motivo de orgulho.
“Participar do projeto é saber que nosso esforço está rendendo frutos”, afirma Raquel Doneda.
“Essa visibilidade fortalece o orgulho de ser paranaense”, complementa Roberto Pontim, produtor de Engenheiro Beltrão.
Em Nova Londrina, Cristina Faria reforça a importância da qualificação promovida pela FAEP. Há duas décadas ela participa de cursos da instituição, que abrangem desde higienização e processamento de alimentos até fruticultura, piscicultura e novas tecnologias.
“Com o apoio do Sistema FAEP, conseguimos transformar a propriedade em uma microempresa rural”, destaca.
O Sistema FAEP oferece atualmente cinco cursos na área de fruticultura, incluindo capacitação em morango, maracujazeiro azedo, mirtilo, amora-preta e framboesa, além de quatro cursos na área de alimentos, voltados à produção de geleias, compotas, frutas desidratadas, conservas, molhos e temperos. Todos os cursos são gratuitos e com certificado.
Os interessados podem procurar o sindicato rural mais próximo, com endereços e telefones disponíveis no site da FAEP, na seção “Sindicatos Rurais”.
Fonte: Portal do Agronegócio
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