Semana do Fazendeiro destaca pesquisas da UFV que aceleram o melhoramento genético de pimentas e fortalecem a agricultura sustentável em Minas Gerais
Evento reúne mais de 42 mil visitantes no primeiro fim de semana e apresenta projeto inovador de genética vegetal, agricultura familiar e desenvolvimento de novas cultivares de pimenta mais produtivas, resistentes e adaptadas às mudanças climáticas
Publicado em: 22/07/2026 às 12:00hs
A 96ª Semana do Fazendeiro, realizada pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), começou com números históricos e reforçou seu papel como um dos maiores eventos de extensão universitária da América Latina. Em sua edição especial de comemoração aos 100 anos da instituição, o evento recebeu aproximadamente 42 mil visitantes durante o primeiro fim de semana, consolidando-se como um importante espaço de difusão de conhecimento, inovação e tecnologia para o agronegócio brasileiro.
Com o tema "Formando pessoas e transformando a agricultura e a pecuária que alimentam o Brasil e o mundo", a programação segue até 26 de julho e reúne produtores rurais, pesquisadores, estudantes, técnicos, profissionais do setor e visitantes de diversas regiões do país.
Além dos 411 cursos técnicos destinados a mais de mil participantes inscritos, a Semana do Fazendeiro tornou-se uma vitrine para pesquisas que poderão transformar a produção agrícola nacional. Entre os destaques está o projeto de melhoramento genético participativo de pimentas, coordenado pela UFV, aliado aos avanços científicos na identificação de genes capazes de acelerar o desenvolvimento de novas cultivares de Capsicum chinense.
Pesquisa aproxima universidade e agricultores
Um dos projetos apresentados durante o evento demonstra como ciência e extensão rural podem caminhar juntas para impulsionar a agricultura sustentável.
Coordenada pelo professor Agustin Zsögön, a iniciativa integra o Programa Participa Minas e propõe um modelo de melhoramento genético participativo, no qual agricultores familiares participam diretamente das decisões sobre quais características deverão ser priorizadas no desenvolvimento de novas variedades de pimentas.
A proposta busca selecionar materiais mais adaptados às condições da Zona da Mata Mineira, capazes de oferecer maior produtividade, resistência e rentabilidade aos produtores.
O projeto será desenvolvido em dez propriedades rurais distribuídas entre os municípios de Viçosa, Guaraciaba, Muriaé, Barão de Monte Alto, Raul Soares e Espera Feliz, envolvendo agricultores orgânicos ligados ao Sistema Participativo de Garantia (SPG) Floriô.
Segundo os pesquisadores, testar os materiais em diferentes regiões permitirá identificar variedades capazes de manter elevado desempenho mesmo sob diferentes condições climáticas e de manejo.
Banco de germoplasma impulsiona novas cultivares
As pesquisas utilizam materiais provenientes do Banco de Germoplasma de Hortaliças da UFV e da Embrapa Hortaliças, considerados importantes patrimônios genéticos da horticultura brasileira.
Os acessos passam por avaliações agronômicas, fisiológicas, metabólicas e genéticas que analisam características como:
- produtividade;
- crescimento das plantas;
- qualidade dos frutos;
- adaptação ambiental;
- resistência a pragas e doenças;
- composição nutricional;
- teor de compostos responsáveis pela pungência.
Além das avaliações de campo, os pesquisadores utilizam técnicas modernas de genotipagem por sequenciamento, permitindo compreender com maior precisão a diversidade genética das plantas e identificar materiais promissores para futuros programas de melhoramento.

Genes identificados podem acelerar o melhoramento das pimentas
Outro destaque apresentado durante a Semana do Fazendeiro foi um estudo que identificou marcadores moleculares (SNPs) diretamente associados à produtividade e ao desempenho fisiológico de pimentas da espécie Capsicum chinense, grupo que reúne variedades bastante conhecidas no mercado brasileiro, como habanero, biquinho, bode e pimentas-de-cheiro.
A pesquisa representa um avanço significativo para o melhoramento genético, pois permite selecionar plantas superiores ainda nas fases iniciais do desenvolvimento, reduzindo tempo, custos e aumentando a eficiência dos programas de obtenção de novas cultivares.
Os cientistas encontraram regiões do genoma relacionadas a características estratégicas para o setor produtivo, incluindo:
- maior rendimento de frutos;
- maior concentração de clorofila;
- produção de carotenoides;
- metabolismo de glicose;
- eficiência fisiológica das plantas.
Segundo os pesquisadores, essas informações poderão acelerar significativamente o desenvolvimento de variedades mais produtivas, resistentes e adaptadas aos diferentes ambientes de cultivo.

Diversidade genética amplia possibilidades para a horticultura
O estudo também revelou uma ampla diversidade genética entre os materiais analisados.
As diferenças observadas envolveram formato, tamanho, coloração, produtividade e composição bioquímica dos frutos, indicando um elevado potencial para o desenvolvimento de cultivares voltadas a diferentes nichos de mercado.
Outro resultado relevante mostrou que essa diversidade genética não está necessariamente ligada à origem geográfica das plantas, sugerindo intensa troca de sementes ao longo do tempo entre agricultores e diferentes regiões produtoras.
Ambiente influencia produtividade das plantas
As análises confirmaram ainda que fatores ambientais exercem influência direta sobre o desempenho das pimenteiras.
Temperatura, radiação solar e regime de chuvas alteraram significativamente características fisiológicas e produtivas entre os ciclos avaliados.
Mesmo diante dessas variações, alguns acessos apresentaram elevada estabilidade produtiva, característica considerada estratégica para programas de melhoramento e para produtores que buscam maior previsibilidade de rendimento.
Os materiais mais promissores registraram produtividade entre aproximadamente 3 e 3,8 quilos de frutos por planta, formando o grupo prioritário para futuras seleções genéticas.
Formação de profissionais fortalece inovação no campo
Além da pesquisa científica, o projeto prevê ampla capacitação de agricultores, estudantes e profissionais das ciências agrárias.
Serão realizados cursos presenciais e virtuais sobre:
- melhoramento genético participativo;
- produção de sementes;
- avaliação de cultivares;
- manejo sustentável;
- coleta e análise de dados em campo.
Estudantes de Agronomia da UFV também participarão diretamente das atividades, fortalecendo a integração entre ensino, pesquisa e extensão e ampliando a formação prática voltada aos desafios reais da agricultura brasileira.
Agricultura sustentável e fortalecimento da agricultura familiar
A iniciativa busca ampliar a autonomia dos agricultores familiares por meio do acesso à inovação tecnológica, incentivando sistemas produtivos mais sustentáveis e resilientes.
Entre os benefícios esperados estão:
- desenvolvimento de variedades mais adaptadas às condições locais;
- aumento da produtividade;
- redução da dependência de insumos externos;
- fortalecimento da biodiversidade agrícola;
- maior geração de renda nas propriedades rurais;
- incremento da segurança alimentar.
Os conhecimentos produzidos serão disseminados por meio de artigos científicos, cartilhas técnicas, cursos, workshops, eventos presenciais e plataformas digitais, ampliando o acesso às tecnologias desenvolvidas pela universidade.
Semana do Fazendeiro reforça papel da UFV na inovação do agronegócio
Ao reunir milhares de visitantes e apresentar pesquisas voltadas à agricultura sustentável, à genética vegetal e à inovação tecnológica, a 96ª Semana do Fazendeiro reafirma a importância da Universidade Federal de Viçosa na geração de soluções para o agronegócio brasileiro.
Os projetos apresentados demonstram como a integração entre ciência, extensão rural e participação dos produtores pode acelerar o desenvolvimento de cultivares mais produtivas, resilientes às mudanças climáticas e alinhadas às demandas da agricultura moderna, fortalecendo tanto a horticultura quanto a agricultura familiar em Minas Gerais e no Brasil.
A programação da Semana do Fazendeiro 2026 segue até sábado, 26 de julho, com centenas de cursos, palestras, exposições e demonstrações tecnológicas voltadas ao desenvolvimento sustentável da agropecuária brasileira.
Mais informações e aquisição de sementes: agustin.zsogon@ufv.br
Fonte: Portal do Agronegócio
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