Agroecologia

Agricultura regenerativa surge como alternativa para reduzir custos com fertilizantes no campo

Alta nos preços dos insumos impulsiona adoção de práticas agroecológicas e sustentáveis para manter a fertilidade do solo


Publicado em: 08/04/2026 às 10:45hs

Agricultura regenerativa surge como alternativa para reduzir custos com fertilizantes no campo

A alta nos preços dos fertilizantes, influenciada por fatores externos como a guerra no Irã, tem pressionado os custos de produção agrícola no Brasil. Diante desse cenário, a Emater-MG orienta produtores a investirem em agricultura regenerativa e técnicas agroecológicas como alternativas para manter a produtividade com menor dependência de insumos químicos.

Preço dos fertilizantes exige atenção do produtor rural

De acordo com o coordenador técnico estadual de Fertilidade de Solos da Emater-MG, Márcio Stoduto de Mello, o momento é estratégico para buscar soluções alternativas, mesmo com a menor demanda por fertilizantes durante a colheita da primeira safra de grãos.

O especialista destaca que o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes minerais, o que aumenta a vulnerabilidade do setor às oscilações do mercado internacional. Nesse contexto, práticas sustentáveis se apresentam como ferramentas importantes para reduzir custos e garantir a fertilidade do solo.

Agricultura regenerativa alia sustentabilidade e produtividade

A agricultura regenerativa tem como foco a recuperação da saúde do solo e dos ecossistemas, promovendo o aumento da biodiversidade e a manutenção da produtividade agrícola ao longo do tempo.

Entre as principais práticas recomendadas estão:

  • Plantio direto, que preserva a estrutura do solo e eleva os níveis de matéria orgânica
  • Rotação de culturas, contribuindo para o equilíbrio nutricional
  • Uso de bioinsumos, que fortalecem a atividade biológica do solo

Além disso, técnicas como a calagem podem elevar significativamente o potencial produtivo das áreas cultivadas.

Leguminosas e insumos naturais fortalecem o solo

O uso de plantas como crotalária, feijão-guandu, mucuna e trevo é apontado como estratégia eficiente para melhorar a fertilidade do solo. Essas leguminosas atuam em simbiose com bactérias fixadoras de nitrogênio, aumentando a matéria orgânica e promovendo a reciclagem de nutrientes.

Outras alternativas incluem:

  • Aplicação de gesso agrícola, que favorece o crescimento radicular em profundidade
  • Uso de pó de rocha (rochagem), especialmente de basalto, rico em nutrientes essenciais

Essas soluções são acessíveis e podem ser adotadas em diferentes realidades produtivas.

Biofertilizantes ganham destaque como alternativa econômica

Os biofertilizantes, produzidos a partir da fermentação de matéria orgânica, se destacam como uma opção eficiente para reduzir a dependência de fertilizantes minerais.

O aproveitamento de dejetos bovinos, por exemplo, pode ser potencializado com tratamento adequado antes da aplicação no solo, garantindo maior eficiência e evitando contaminações ambientais. Sistemas como esterqueiras apresentam retorno econômico em curto prazo.

Também se destacam:

  • Húmus de minhoca, que melhora a estrutura e a կենvida do solo
  • Bactérias solubilizadoras de fósforo e potássio
  • Microrganismos fixadores de nitrogênio

Esses insumos podem ser produzidos dentro da própria propriedade, reduzindo custos operacionais.

Adoção gradual e assistência técnica são fundamentais

A Emater-MG recomenda que os produtores busquem orientação técnica para a implementação dessas práticas, por meio dos serviços de extensão rural disponíveis nos municípios.

A adoção deve ocorrer de forma gradual, permitindo que o produtor avalie os resultados e adapte as técnicas à sua realidade. A transição para sistemas mais sustentáveis tende a gerar benefícios econômicos e ambientais no médio e longo prazo.

A combinação de agricultura regenerativa e práticas agroecológicas se consolida como caminho viável para enfrentar o aumento dos custos com fertilizantes, promovendo maior sustentabilidade e resiliência no campo brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

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