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Pastagens cultivadas no pantanal

A necessidade surgiu na busca de soluções para aumentar o desfrute do rebanho do Pantanal e até mesmo evitar a perda de animais nos períodos críticos de seca e cheia observados na região, quando a oferta de gramíneas de algumas áreas fica abaixo das necessidades dos animais.

É importante ressaltar que, quando se fala em formação de pastagem no bioma, não se pensa na substituição intensiva dos pastos nativos por cultivados - e sim em formar algumas áreas para usá-las de forma estratégica, de forma a complementar as pastagens nativas e fornecer, assim, uma dieta adequada em quantidade e qualidade para os animais. As pastagens nativas das áreas úmidas do Pantanal são de excelente qualidade e não devem ser substituídas, mas manejadas. Em realidade, essa ação pretende conservar e melhorar as pastagens nativas através de práticas de manejo como a limpeza e veda de invernadas, ajustes na taxa de lotação. O manejo inadequado provoca, na maioria das situações, a disseminação de plantas invasoras.

Na prática, está claro na região do Pantanal que é necessário manejar conjuntamente as pastagens cultivadas e nativas de forma a garantir uma boa alimentação para os animais. Tal medida deverá atender as necessidades de produção dos bovinos - permitindo, ainda, o aumento do número de animais por hectare e, ao mesmo tempo, elevar a sua produtividade, buscando a redução dos custos de produção com o menor impacto ambiental possível. Portanto, a formação de pastagens cultivadas no Pantanal se justifica para as seguintes alternativas de uso:

• Opção para períodos críticos de oferta de pasto;
• Desmama antecipada de bezerros;
• Recuperação de vacas de cria;
• Recuperação de touros após estação de monta;
• Adaptação de touros à região;
• Promover o descanso de pastagens nativas após a sua limpeza e veda para recuperação.

Neste sentido, buscando dar aos produtores do Pantanal mais segurança na escolha das áreas para a formação de pastagens e orientar sobre quais são as forrageiras mais indicadas para o bioma, a Embrapa Pantanal realizou seis estudos de avaliação de gramíneas forrageiras em diferentes áreas onde predominavam gramíneas pouco palatáveis e com baixo valor nutritivo para os animais. Nesses estudos de avaliação, que ocorreram no período de 1975 a 1985, os técnicos da Embrapa Pantanal identificaram e recomendaram as seguintes espécies para solos arenosos de baixa fertilidade (após a eliminação das gramíneas grosseiras e/ou eliminação de invasoras, seguida do devido preparo dos solos):

- Brachiaria brizantha cultivares ‘Marandú’ e ‘MG para áreas de savana bem drenadas (conhecidas regionalemente como “cordilheira”);
- Brachiaria humidicola e B. dictyoneuro, cultivar ‘Llanero’ para:
- áreas de savanas bem drenadas com predomínio de ‘capim-carona’ (Elyonurus muticus), regionalmente conhecidas como “carinal”, bem como campos de ‘fura-bucho’ que ocorrem na região Leste)
- áreas de savanas mal drenadas, onde predominam capins pouco palatáveis, como ‘capim-vermelho’ e ‘capim-rabo-de-burro’ (respectivamente Andropogon hypogynus e A. bicornis).

Vale lembrar que pode haver exceções, pois a fertilidade dos solos varia entre as diferentes fitofisionomias do Pantanal. Esses trabalhos mostraram que, com anos mais ou menos chuvosos, a capacidade de suporte média nas pastagens cultivadas com Brachiaria humidicola e B. dictyoneuro em áreas de campo cerrado do Pantanal arenoso é de:

- 0.8 UA/ha/ano para vacas de cria com bezerro ao pé;
- 0.8 UA/ha/ ano para touros;
- bezerros(as) de 10 a 20 meses = 3 animais/ha/ano;
- novilhas de recria de 20 a 30 meses = 2 animais/ha/ano;

Nas propriedades localizadas na parte leste das sub-regiões do Pantanal (fralda de serras), onde, por exemplo, se cultiva Brachiaria brizantha ‘Marandú’, a capacidade de suporte é de 0,8 UA/ha/ano em média.

Independentemente das informações citadas acima, a observação “in loco” feita pelo proprietário ou pelo gerente da fazenda é de suma importância para verificar o estado da pastagem, principalmente com relação a áreas com solo descoberto e presença de invasoras – situação que pode provocar a degradação dos pastos e influenciar, portanto, na capacidade final de suporte.

José Aníbal Comastri Filho (jose.comastri@embrapa.br), Engenheiro Agrônomo pesquisador da Embrapa Pantanal; Sandra Mara Araújo Crispim (sandra.crispim@embrapa.br), Engenheira Agrônoma, pesquisadora aposentada da Embrapa Pantanal.


Data de Publicação: 13/03/2020 às 09:00hs
Fonte: Embrapa Pantanal - Foto: Sandra Mara Araújo Crispim
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