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Alguém mais consome feijão carioca?

O feijão é uma das leguminosas não oleaginosas mais consumidas no mundo. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), em 2007 foram consumidos cerca de 16 milhões de toneladas de feijão, o que representou 37% de todas as leguminosas não oleaginosas consumidas mundialmente.

Entre 1997 e 2007, a produção de feijões no mundo mostrou tendência a crescimento, acompanhando o aumento no consumo total (Fig. 1). Por outro lado, em termos de consumo per capita mundial, foram registradas amplas variações no consumo a partir de 2002.

No Brasil, praticamente toda a produção de feijão é voltada para o mercado interno (Fig. 2). Nos anos 2001/02, 2004/05, 2007/08 a produção foi inferior à demanda, o que foi contornado com o uso de estoques e importações (Fig. 2). As principais classes de feijões produzidas no país são as de feijão comum cores (predominantemente representado pelo grupo carioca, mas que podem conter outros grupos como rajado, bolinha e rosinha), comum preto e caupi. De acordo com dados oficiais de produção e assumindo-se que a produção reflete indiretamente o consumo, pode-se sugerir, então, que mais de 65% de todo o feijão consumido no país é proveniente do grupo carioca. Curiosamente, o feijão carioca, embora preferência nacional, não é consumido mundo afora, com exceção de desprezíveis quantidades que são exportadas para atender à demanda de comunidades de brasileiros vivendo no exterior.

Em vez disso, os nativos de outros países preferem grãos graúdos como rajados de diversos tipos, vermelhos grandes e brancos do tipo alúbia (também importados pelo Brasil). Dentre os grãos menores, são consumidos e importados o preto e navy, que é um feijão branco pequeno, usado principalmente na indústria de enlatamento. O feijão caupi, que possui tamanhos diversos, também é muito consumido. Diante disso, tem-se o cenário: a cada 100kg de feijão produzido no país anualmente, 65kg é de feijão carioca. Quando há excesso de produção, não existe comprador no exterior que se interesse por ele. Esta situação leva a grandes variações no preço pago ao produtor e pelo consumidor final, porque em diferentes momentos tem-se excesso ou falta do produto no mercado. Parte do restante da produção anual é dividida entre grupos comerciais que têm potencial para exportação por serem consumidos lá fora, como preto, caupi e rajado, mas cujo volume de produção pode ser tão baixo que inviabilize o negócio.

Como resolver ou atenuar esses problemas? Seria políticas públicas de incentivo à produção desses grupos comerciais de feijão uma saída? Garantia de preço mínimo e maior coordenação na cadeia de exportação do feijão estimularia o aumento na produção? Aumentar o esforço em pesquisa de melhoramento genético de feijões com potencial para exportação na mesma intensidade com que ela é feita para o carioca e o preto seria a solução?

Essas seriam apenas algumas das soluções que os atores envolvidos na cadeia produtiva do feijão poderiam optar. Poderá ser que, uma combinação desses fatores, se não resolvesse o problema do carioca, ao menos traria um alento a produtores e consumidores de feijões que sofrem com variações de preços de um produto tão tradicional na cultura brasileira.

Michela Okada Chaves - Engenheira de alimentos, MSc em Gestão Estratégica em Negócios. Embrapa Arroz e Feijão.

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Data de Publicação: 00/00/0000 às 00:00hs
Fonte: Embrapa Arroz e Feijão
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