Publicado em: 14/04/2026 às 16:00hs
Em uma região marcada por déficits hídricos severos, a irrigação por gotejamento tornou-se um pilar estratégico na produção da Usina Santa Adélia, em Pereira Barreto (SP), no Polo Igaraí. Desenvolvido em parceria com a Netafim, líder em soluções de irrigação, o projeto trouxe previsibilidade à produção, mitigou riscos climáticos e abriu caminho para ganhos consistentes de produtividade e competitividade.
Cássio Pagiaro, diretor agrícola da usina, explica que a decisão pelo investimento em irrigação foi motivada pelo histórico climático da região:
“Aqui enfrentamos déficits hídricos muito grandes, o que impede a previsibilidade da matéria-prima. A irrigação por gotejamento cobre essa lacuna e garante constância produtiva.”
Segundo ele, o déficit hídrico costuma variar entre 700 e 800 mm, sendo que em quatro de cada cinco safras recentes os problemas superaram a média histórica. Nesse cenário, a irrigação se tornou essencial para manter a produção estável ao longo da safra.
Caio Carvalho, diretor da Canaplan, reforça a importância da irrigação como ferramenta de gestão de risco:
“A produtividade do canavial de sequeiro tem sofrido com os déficits hídricos e mudanças climáticas. A irrigação funciona como um seguro, evitando grande volatilidade durante a safra.”
O projeto da Santa Adélia começou com 1.076 hectares irrigados, mesmo sem experiência prévia em sistemas dessa escala. Pagiaro destaca a parceria com a Netafim como essencial para o sucesso:
“Sem o apoio da Netafim não seria possível. Aprendemos a irrigar cana e a gerir o manejo de forma eficiente, garantindo implementação rápida e engajamento da equipe.”
Os resultados são expressivos: canaviais irrigados apresentam produtividade média entre 140 e 160 toneladas por hectare ao longo de 10 a 12 cortes, segundo Carvalho. Além disso, a irrigação reduz os custos por tonelada, tornando a produção mais competitiva que a cana de sequeiro.
A irrigação por gotejamento também oferece eficiência no uso de recursos, permitindo menor consumo de água e integração tecnológica que reduz o uso de diesel, aumentando a sustentabilidade do processo. Carvalho destaca:
“Em um setor sem subsídios e exposto à volatilidade, ser competitivo depende de irrigação. A redução da variabilidade produtiva gera vantagem estratégica para planejamento e comercialização.”
Com projeção de longevidade de até 13 ou 14 cortes e retorno de investimento em poucos ciclos, o projeto consolida a irrigação como caminho estratégico frente ao clima adverso. Carvalho conclui:
“O que hoje é considerado inovação logo será rotina. A tecnologia é essencial para a competitividade futura do setor sucroenergético.”
Fonte: Portal do Agronegócio
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