Publicado em: 11/03/2026 às 11:44hs
O mercado internacional de açúcar continua registrando oferta maior que a demanda, porém com um excedente cada vez mais reduzido. Novas revisões nas estimativas de produção diminuíram de forma significativa o superávit mundial da commodity na temporada 2025/26 (outubro a setembro), que agora deve ficar abaixo de 1 milhão de toneladas.
A revisão reflete principalmente a queda nas projeções de produção da Índia e mudanças no direcionamento da cana-de-açúcar no Brasil, maior exportador global do produto.
De acordo com projeções da StoneX, empresa global de serviços financeiros, o saldo mundial de açúcar foi reduzido de 2,9 milhões de toneladas para aproximadamente 870 mil toneladas no ciclo atual.
A principal revisão nas estimativas ocorreu na Índia, onde a safra deve terminar antes do previsto, afetando diretamente a oferta mundial.
Segundo os dados mais recentes da StoneX, a produção indiana foi ajustada de 32,3 milhões para 29,7 milhões de toneladas. A redução está relacionada principalmente a:
Mesmo com o corte nas projeções, o volume ainda representa um crescimento anual de cerca de 14% em relação ao ciclo anterior.
Para o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Marcelo Di Bonifácio Filho, o mercado passa por um momento de ajuste na oferta, mas sem ruptura no equilíbrio entre produção e consumo.
“Apesar das revisões negativas nas estimativas de produção em países relevantes como Índia e Brasil, o mercado internacional ainda projeta um pequeno superávit. Esse cenário limita movimentos mais fortes de alta nos preços, especialmente diante de sinais de demanda global menos aquecida”, explica.
Mesmo com as revisões negativas em alguns países, outras regiões produtoras registraram desempenho melhor que o esperado, ajudando a manter o mercado abastecido.
Na Europa, por exemplo, a safra de beterraba apresentou produtividade superior às estimativas iniciais. A produção ficou cerca de 2 milhões de toneladas acima do previsto, resultado do bom desempenho agrícola na União Europeia e na Ucrânia.
Na América do Norte, a produção mexicana também foi revisada para cima. As estimativas passaram de 5,1 milhões para 5,4 milhões de toneladas, impulsionadas por ganhos de produtividade nos canaviais.
Apesar do ajuste na oferta global, o comércio internacional continua apresentando sinais de excesso de produto. Importações mais lentas em grandes mercados consumidores e estoques elevados têm contribuído para manter os preços internacionais em níveis considerados baixos.
Atualmente, as cotações do açúcar giram em torno de 14 centavos de dólar por libra-peso no mercado internacional, segundo a análise da StoneX.
Di Bonifácio destaca que o mercado vive uma combinação de oferta ainda confortável e demanda menos dinâmica.
Outro fator que pode influenciar as cotações é o comportamento do petróleo. A recente alta da commodity energética tende a estimular a produção de etanol em países produtores, o que pode oferecer algum suporte aos preços do açúcar.
No Brasil, maior produtor e exportador global de açúcar, as estimativas apontam mudanças no planejamento industrial das usinas, com maior direcionamento da matéria-prima para o etanol.
Para a safra 2026/27 no Centro-Sul, a projeção indica:
Mesmo com o crescimento da moagem, o mix açucareiro foi revisado para 48,7%, abaixo dos 49,3% estimados anteriormente.
Com isso, a produção de açúcar no ciclo deve ficar próxima de 40 milhões de toneladas, cerca de 700 mil toneladas abaixo da previsão anterior.
De acordo com o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Rafael Borges, a relação entre os preços do açúcar e do etanol tem sido determinante para essa estratégia.
“Com o açúcar menos valorizado no mercado internacional, muitas usinas optam por priorizar a produção de etanol, especialmente no início da safra. Isso reduz o mix açucareiro e limita a expansão da oferta de açúcar no Brasil”, afirma.
A safra 2025/26 do Centro-Sul do Brasil deve terminar com produção próxima de 40,4 milhões de toneladas de açúcar, com o mix açucareiro estimado em cerca de 50,5% ao final do ciclo.
Já no mercado de biocombustíveis, a perspectiva é de crescimento expressivo.
A produção total de etanol no Centro-Sul pode alcançar 37,2 bilhões de litros na safra 2026/27, o que representaria um avanço anual de 10,2% e um novo recorde histórico.
Esse crescimento é impulsionado principalmente pela expansão do etanol de milho no país.
Segundo Borges, esse movimento amplia a flexibilidade do setor sucroenergético brasileiro.
“O aumento da produção de etanol, especialmente a partir do milho, permite que o setor responda de forma mais rápida às mudanças de preço entre açúcar e biocombustível”, ressalta.
Diante desse cenário, o desempenho da safra brasileira continuará sendo um dos principais fatores para o equilíbrio do mercado internacional de açúcar.
Qualquer alteração no mix de produção ou na produtividade agrícola no Brasil pode influenciar rapidamente o balanço global entre oferta e demanda da commodity.
Fonte: Portal do Agronegócio
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