Super El Niño ameaça oferta global de açúcar; Hedgepoint reduz projeção para a União Europeia
Seca e calor elevam riscos às safras asiáticas, enquanto chuvas no Brasil podem limitar a produção no curto prazo e sustentar o contrato de março de 2027
Publicado em: 05/10/2026 às 17:00hs
O Super El Niño amplia os riscos à oferta mundial de açúcar ao provocar condições climáticas distintas entre os principais países produtores, segundo relatório da Hedgepoint Global Markets. Enquanto a seca e as temperaturas elevadas ameaçam as lavouras da Índia e da Tailândia, o excesso de chuva no Brasil pode dificultar a colheita e reduzir a disponibilidade do produto no curto prazo.
Na avaliação da consultoria, esse cenário pode oferecer sustentação ao contrato de açúcar com vencimento em março de 2027. A preocupação se concentra no abastecimento durante o quarto trimestre de 2026 e o primeiro trimestre do próximo ano.
Segundo o relatório, a maioria das agências meteorológicas projeta o pico do fenômeno entre o fim de 2026 e o início de 2027. Seus efeitos, porém, variam entre as regiões e podem comprometer tanto o volume produzido quanto o teor de açúcar das matérias-primas.
Chuvas no Brasil dificultam colheita, mas favorecem a próxima safra
No Centro-Sul brasileiro, as previsões indicam precipitações acima da média entre outubro e dezembro. A umidade traz consequências diferentes para a safra em andamento e para a cana que será colhida no ciclo 2027/28.
No curto prazo, as chuvas podem prolongar paralisações da colheita, diminuir a eficiência das operações e reduzir o Açúcar Total Recuperável (ATR), indicador relacionado à quantidade de açúcar disponível na cana.
Lívea Coda, coordenadora de Inteligência de Mercado da Hedgepoint, explica que a mesma condição climática que prejudica os trabalhos atuais pode beneficiar o desenvolvimento dos canaviais da próxima temporada, melhorando seu potencial produtivo.
As estimativas da consultoria já incorporam parte dos efeitos da chuva sobre a colheita e o ATR. Entretanto, as previsões mais recentes de precipitação mantêm o risco de revisão para baixo, com possível restrição adicional da oferta na passagem de 2026 para 2027.
Índia enfrenta riscos à produtividade e pode precisar de importações
Na Índia, a monção terminou com chuvas significativamente abaixo da média. Os déficits mais severos se concentraram em Maharashtra e Karnataka, estados relevantes para a produção de cana-de-açúcar.
Além da falta de umidade, as temperaturas elevadas intensificaram o estresse das plantas em uma fase decisiva do desenvolvimento. A combinação gera preocupação com a produtividade agrícola, a recuperação de açúcar e o desempenho da moagem.
Diante dessas condições, a Hedgepoint considera possível que o país necessite de novas cotas de importação durante a safra 2026/27.
Tailândia tem ameaça de seca e calor até o início de 2027
A produção tailandesa também está exposta a condições desfavoráveis. As previsões apontam chuvas abaixo do normal e temperaturas superiores à média até o começo de 2027.
Como os canaviais do país dependem fortemente das precipitações, a insuficiência de umidade associada ao calor representa risco para o rendimento das lavouras e para o teor de açúcar da cana.
Ainda assim, as chuvas previstas para novembro podem ajudar o desenvolvimento das plantas e reduzir a possibilidade de antecipação da colheita. A expectativa apresentada pela consultoria é de início dos trabalhos em dezembro.
Indonésia pode ampliar compras de açúcar no exterior
Na Indonésia, os efeitos sobre a cana atualmente em colheita tendem a ser limitados. A principal preocupação está no desenvolvimento das próximas safras.
A estação chuvosa deve começar mais tarde e durar menos que o habitual em grande parte do país, especialmente em Java, uma das principais regiões canavieiras.
Com menor reposição da umidade do solo, o crescimento das lavouras de rebrote pode ser prejudicado. Esse cenário abre a possibilidade de aumento da demanda indonésia por açúcar no mercado internacional em 2026/27, após um ano de redução da dependência externa.
Produção de açúcar da União Europeia é revisada para 13,1 milhões de toneladas
A Hedgepoint reduziu sua estimativa para a produção de açúcar da União Europeia de 13,8 milhões para 13,1 milhões de toneladas, diante dos impactos de um verão excepcionalmente quente e seco sobre a beterraba sacarina.
A nova projeção representa queda de 17% em relação à safra 2025/26 e fica 2,2% abaixo da estimativa da Comissão Europeia.
O retorno de condições mais úmidas desde o fim de agosto trouxe algum alívio à etapa final de desenvolvimento das lavouras. Por outro lado, chuvas excessivas durante o outono europeu podem dificultar a colheita e acrescentar obstáculos às operações.
México mantém projeção de 4,6 milhões de toneladas sob incerteza climática
No México, as previsões mostram um quadro heterogêneo, com maior umidade em algumas regiões produtoras e condições mais secas em outras.
Veracruz, principal estado produtor de açúcar do país, está em uma área de transição entre esses padrões. Essa posição aumenta a incerteza sobre os efeitos do El Niño na safra 2026/27.
Após o encerramento da temporada 2025/26 abaixo das expectativas iniciais, a Hedgepoint mantém uma projeção de 4,6 milhões de toneladas para o próximo ciclo, considerada conservadora pela consultoria. O histórico de safras influenciadas pelo fenômeno reforça a atenção aos riscos climáticos sobre a produção mexicana.
Fonte: Portal do Agronegócio
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