Publicado em: 02/02/2026 às 10:40hs
A consultoria StoneX revisou suas projeções para a safra 2026/27 no centro-sul do Brasil, principal região produtora de cana-de-açúcar do mundo. Segundo relatório divulgado nesta sexta-feira (30), a produção de açúcar foi reduzida para 40,7 milhões de toneladas, representando uma queda de 800 mil toneladas em relação à estimativa anterior.
O movimento reflete o novo cenário de mercado, em que os preços mais atrativos do etanol têm incentivado as usinas a direcionar maior volume de cana para a produção do biocombustível.
Em contrapartida, a produção total de etanol no centro-sul foi projetada para 36,5 bilhões de litros, volume recorde e acima dos 36,1 bilhões previstos anteriormente. O avanço é puxado tanto pelo aumento na fabricação a partir da cana-de-açúcar quanto, principalmente, pelo etanol de milho, que vem ganhando espaço na matriz energética do país.
“A forte queda nos preços do açúcar ao longo de 2025, somada à alta do etanol no final de 2025 e início de 2026, cria um ambiente favorável à produção alcooleira”, destacou o relatório da StoneX.
A moagem de cana-de-açúcar no centro-sul foi estimada em 620,5 milhões de toneladas, número estável frente à projeção anterior. Apesar disso, o volume representa um aumento de 2% sobre a safra 2025/26.
A StoneX aponta que, considerando esse cenário, a produção de açúcar ainda deve crescer 0,7% no comparativo anual. A nova safra deve ter início oficial em abril de 2026, embora algumas usinas comecem a operação já em março.
A expectativa é que a produção total de etanol registre alta de 7,9% frente ao ciclo anterior. O crescimento será impulsionado especialmente pelo etanol de milho, cuja produção deve subir 17%, alcançando 11 bilhões de litros. Já o etanol de cana deve aumentar 4,4%, chegando a 25,5 bilhões de litros em 2026/27.
Apesar do corte na projeção brasileira, a StoneX avalia que o mercado global de açúcar deve permanecer superavitário. O analista Marcelo Di Bonifacio Filho explicou que o ajuste nas estimativas do Brasil, tanto no centro-sul quanto no Norte-Nordeste, reduz o saldo, mas ainda garante tranquilidade na oferta internacional.
O superávit global foi estimado em 2,9 milhões de toneladas, revertendo o déficit de 3,14 milhões registrado na safra anterior. Já os estoques mundiais devem crescer 4%, atingindo 76,7 milhões de toneladas em valor bruto. A relação estoque/uso foi calculada em 39,6%, ligeiramente acima da média dos últimos cinco anos (39%).
A StoneX ressalta que as condições climáticas até março serão determinantes para a oferta de cana no centro-sul. Chuvas abaixo da média podem limitar o potencial produtivo.
Além disso, as atualizações de safra na Tailândia, China e Índia, previstas para o primeiro trimestre, também devem influenciar o equilíbrio global da oferta de açúcar.
Fonte: Portal do Agronegócio
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