Safra de cana 2026/27 deve ser a segunda maior da história, mas produção de açúcar recua com avanço do etanol
StoneX revisa para cima a moagem de cana no Centro-Sul, eleva projeção de déficit global de açúcar para 1,7 milhão de toneladas e aponta maior direcionamento da matéria-prima para a produção de etanol.
Publicado em: 29/07/2026 às 19:40hs
A safra 2026/27 de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil deverá registrar uma recuperação significativa da produtividade, consolidando a segunda maior moagem da história da região. A avaliação é da StoneX, que revisou para cima sua estimativa de produção e, ao mesmo tempo, elevou a projeção de déficit global de açúcar para 1,7 milhão de toneladas na temporada 2026/27.
Apesar da maior disponibilidade de matéria-prima, a consultoria projeta uma redução na produção de açúcar, refletindo a estratégia das usinas de ampliar a fabricação de etanol diante das condições mais favoráveis do mercado de biocombustíveis.
Moagem de cana é revisada para 641,1 milhões de toneladas
Segundo a StoneX, a moagem de cana no Centro-Sul deverá atingir 641,1 milhões de toneladas na safra 2026/27, volume 4,9% superior ao registrado na temporada anterior.
A nova projeção representa um acréscimo de aproximadamente 9 milhões de toneladas em relação à estimativa divulgada em maio, impulsionada principalmente pelo avanço da produtividade agrícola.
Caso o volume seja confirmado, será a segunda maior moagem da história da região Centro-Sul, ficando atrás apenas da safra recorde de 2023/24, quando foram processadas cerca de 654 milhões de toneladas de cana.
Produtividade das lavouras impulsiona revisão
A melhora nas perspectivas para a safra está diretamente ligada ao desempenho das lavouras.
Até maio, a produtividade medida em toneladas por hectare apresentava crescimento de 6,9% em relação ao mesmo período da safra anterior, alcançando aproximadamente 85 toneladas por hectare.
Além disso, as chuvas registradas entre maio e junho e a expectativa de condições climáticas mais favoráveis ao longo do restante de 2026 levaram a StoneX a elevar sua projeção de produtividade média para 79,3 toneladas por hectare, avanço de 6,5% frente ao ciclo anterior.
Produção de açúcar diminui com maior foco no etanol
Mesmo com uma safra maior de cana, a produção de açúcar deverá apresentar retração.
A StoneX estima que o Brasil produzirá 38,7 milhões de toneladas de açúcar em 2026/27, queda de 4,2% na comparação com a temporada anterior.
O principal motivo é a mudança no direcionamento da matéria-prima pelas usinas.
O chamado mix açucareiro, indicador que mostra a parcela da cana destinada à fabricação de açúcar, deverá cair para 46,1%, contra 50,4% registrados em 2025/26.
Em contrapartida, o mix alcooleiro deverá subir para 53,9%, refletindo o maior interesse do setor pela produção de etanol.
Produção de etanol deve crescer 15%
O aumento da participação do etanol no processamento da cana deverá elevar significativamente a oferta do biocombustível.
A StoneX projeta produção total de 38,8 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27, crescimento de 15% sobre a temporada anterior.
Além da maior destinação da cana, a expansão será favorecida pelo aumento da produção de etanol de milho, segmento que segue em forte crescimento no Brasil e amplia a oferta nacional de biocombustíveis.
Déficit global de açúcar aumenta
No cenário internacional, a StoneX revisou para cima sua estimativa de déficit global de açúcar para a safra 2026/27, projetando um saldo negativo de 1,7 milhão de toneladas.
A combinação entre menor produção brasileira de açúcar, maior direcionamento da cana para o etanol e o equilíbrio entre oferta e demanda mundial mantém o mercado atento ao comportamento das cotações ao longo da temporada.
Perspectivas para o setor sucroenergético
A revisão das estimativas reforça um cenário positivo para o setor sucroenergético brasileiro. A recuperação da produtividade agrícola, favorecida pelas condições climáticas, deverá garantir uma das maiores safras de cana da história.
Ao mesmo tempo, a maior competitividade do etanol continua influenciando as decisões das usinas, reduzindo a produção de açúcar e fortalecendo a participação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira, fator que poderá seguir sustentando os preços do açúcar no mercado internacional diante do déficit global projetado.
Fonte: Portal do Agronegócio
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