Publicado em: 16/09/2016 às 13:00hs
A avaliação foi feita pelo CEO da Datagro Consultoria, Plínio Nastari, que apresentou o painel “O setor sucroenergético no Centro-Oeste: importância, situação atual e perspectivas”, durante o 1º Congresso de Bionenergia de Mato Grosso e o 3º Congresso do Setor Sucroenergético do Brasil Central, em Cuiabá.
“Mato Grosso é uma caixa de força. É o maior produtor de grãos do Brasil, mas ainda esbarra em limitações na logística e nos altos impostos. A indústria de biocombustíveis gera empregos de qualidade e reduz a poluição atmosférica. É preciso que as autoridades reconheçam essa importância e que os governos estaduais, em especial de Mato Grosso, considere a mudança da cobrança de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS)”, afirmou o painelista durante o Congresso que está sendo promovido pelo Sistema Famato/Senar-MT e Aprosoja e segue até a próxima quarta-feira (14).
Segundo ele, como grande produtor agroindustrial, Mato Grosso deve trabalhar com os resíduos orgânicos que são produzidos todos os anos. “O ideal seria que a produção agrícola não utilizasse combustíveis fósseis e para isso são necessários investimentos e políticas públicas viáveis e de qualidade. Temos um potencial enorme para ser explorado e precisamos valorizar o etanol porque ele é uma energia nobre. A experiência brasileira nesta área é mais valorizada em outros países do mundo do que aqui no país, onde conseguimos o feito de 42% dos combustíveis utilizados a partir do etanol”.
Nastari destacou ainda uma grande novidade do setor automotivo: a empresa japonesa Nissan acaba de lançar o primeiro veículo elétrico movido a combustível líquido e que será comercializado a partir de 2020.
“Isso é algo surpreendente porque o automóvel utiliza energia limpa, já que o hidrogênio é difícil, perigoso e oneroso e com essa tecnologia o carro recebe etanol e consegue transformá-lo em energia elétrica. A própria montadora afirmou que o Brasil resolveu o problema de infraestrutura de hidrogênio porque o país possui 35.200 postos de etanol já instalados”, informou ele.
Debatedor no painel, o presidente da Comissão de Cana-de-açúcar e Bioenergia da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (FAEG), Joaquim Sardinha Júnior, falou sobre o crescimento do setor no estado de Goiás e reforçou a importância de discussões como a promovida pelo Congresso.
Já o moderador do painel, o presidente do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado de Mato Grosso (Sindalcool-MT), Piero Parini, ressaltou a necessidade de estímulos fiscais para ampliar a produção em Mato Grosso e citou como exemplo a produção de cana-de-açúcar nos estados de Mato Grosso do Sul e Goiás.
“Em oito anos, Mato Grosso do Sul saiu de 8 milhões de toneladas para 45 milhões. Já o Estado de Goiás, no mesmo período, pulou de 12 para 55 milhões. Enquanto Mato Grosso se manteve praticamente nos 16 milhões atuais de produção. A carga tributária dos Estados vizinhos fez toda a diferença para a obtenção desses resultados”, reforça.
O presidente e CEO da Datagro concordou com Parini e enfatizou que é preciso a adoção de regras específicas para o setor. “Precisamos de regras claras para os biocombustíveis, mas que não engessem a produção”, finalizou.
Fonte: Pauta Pronta Comunicação Corporativa
◄ Leia outras notícias