Publicado em: 05/03/2026 às 16:30hs
A Raízen obteve até agora um ganho contábil de R$ 610 milhões com a venda de cinco usinas adquiridas da Biosev, de acordo com o balanço do terceiro trimestre da safra 2025/26. Apesar disso, o resultado líquido da empresa foi impactado negativamente em R$ 460 milhões devido à baixa contábil (impairment) superior a R$ 1 bilhão registrada nos ativos.
No trimestre, a companhia divulgou um prejuízo contábil de R$ 15 bilhões, sendo que as vendas de ativos foram mais afetadas pelos desinvestimentos do setor de energia do que pelas alienações das usinas de cana.
Desde novembro de 2024, a joint venture entre Cosan e Shell concluiu a venda de cinco ativos da Biosev:
Os ativos industriais da MB e Santa Elisa não foram vendidos, mas “hibernados” — paralisados temporariamente. A Usina Continental também foi vendida, mas a transação não havia sido concluída até dezembro.
O total arrecadado com as vendas de usinas foi de R$ 2,8 bilhões, cerca de R$ 600 milhões acima do valor contábil desses ativos. Analistas alertam que este resultado é contábil e não representa lucro real, considerando a desvalorização dos ativos ao longo dos anos.
O preço médio das usinas caiu em relação à aquisição pela Biosev, passando de US$ 60 por tonelada de capacidade de moagem para a faixa de US$ 40 a US$ 50 por tonelada nas vendas recentes.
A venda dos canaviais da Usina Santa Elisa, considerada a “joia da coroa” da Biosev, gerou um ganho contábil de R$ 878,3 milhões. Mesmo assim, a hibernação da indústria resultou em perda contábil de R$ 798 milhões no acumulado da safra.
Outras vendas relevantes incluem:
A companhia também concretizou a venda de cerca de 60 mil hectares de canaviais, inicialmente estimada em R$ 1,045 bilhão, mas finalizada em R$ 910,8 milhões devido à impossibilidade de transferir todos os contratos de arrendamento.
A Raízen adquiriu a Biosev em 2021 por R$ 3,6 bilhões, aumentando seu número de unidades industriais de 26 para 35 e sua capacidade anual de moagem para 32 milhões de toneladas de cana.
As vendas ocorrem em um cenário de preços pressionados do açúcar e juros altos, o que contribui para a desvalorização dos ativos. Segundo Willian Hernandes, sócio da FG/A, “economicamente, não seria um bom momento para vender ativos”, mas as usinas herdadas não geravam margem suficiente para cobrir o custo da dívida.
A empresa defende que os desinvestimentos fazem parte de uma estratégia de simplificação de portfólio e de geração de recursos para amortizar sua dívida bilionária. Procurada, a Raízen não comentou o assunto.
Fonte: Portal do Agronegócio
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