Produtores de etanol rebatem críticas ao sistema de CBIOs
A Unica (União da Indústria de Cana de Açúcar) diz que a recente alta nos preços dos certificados de descarbonização, os chamados CBIOs, não se deve a uma oferta menor do produto no mercado nem a um estoque por parte dos produtores de biocombustíveis.
Publicado em: 11/04/2022 às 16:40hs
O Poder360 mostrou haver uma insatisfação entre as distribuidoras de combustíveis em relação à atual estrutura de comercialização dos certificados, pela qual elas são obrigadas a comprar determinada quantidade de certificados, anualmente. Ao mesmo tempo, não há obrigatoriedade para as emissoras de colocarem os CBIOs à venda.
Evandro Gussi, presidente da Unica, diz que as críticas não fazem sentido, uma vez que a compra é compulsória porque as distribuidoras comercializam combustíveis fósseis e não os produtores de biodiesel.
"Hoje, me parece que ninguém tem dúvida de que temos que reduzir emissões causadores do efeito estufa. Acho que é uma das poucas coisas consensuais no mundo. E os combustíveis fósseis são um dos principais elementos de emissão. A matriz de transporte é um dos principais emissores", disse Gussi.
Segundo a UNICA, de fato as vendas de etanol registraram retração de quase 20% no 1º trimestre deste ano, na comparação com igual período do ano passado, em função do período de entressafra, que vai até abril. A entidade diz, no entanto, que não há redução de oferta de CBIOs.
Gussi afirma que o aumento dos preços é ocasionado pela maior demanda das distribuidoras na comparação com a registrada no início de 2021.
"As distribuidoras conscientes do seu papel socioambiental estão trabalhando na redução das suas metas. As distribuidoras ´fossilizadas´, sem preocupação com as metas de descarbonização, são essas poucas, marginais, que têm feito essas reclamações", disse Gussi.
Segundo Luciano Rodrigues, diretor de economia e inteligência setorial da Unica, atualmente o estoque de CBIOs nas mãos das distribuidoras supera 11,5 milhões de títulos, o que representa um crescimento próximo de 200% quando comparado ao estoque do 1º trimestre de 2021.
"Essa quantidade incorpora os títulos adquiridos no 1º trimestre deste ano e os títulos comprados além da meta de 2020", disse Rodrigues.
A comercialização de CBIOs entrou em vigor em 2020, na esteira dos compromissos firmados pelo Brasil no Acordo de Paris visando à redução de emissão de gases de efeito estufa. As produtoras de etanol representam 85% de todos os produtores de biocombustíveis aptos a emitirem CBIOs no país. Segundo a ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), os 308 emissores estão distribuídos da seguinte forma:
etanol de cana -- 262;
etanol de milho -- 4;
etanol de cana e milho (usinas flex) -- 7;
biodiesel -- 32;
biometano -- 3.
Fonte: Poder 360
◄ Leia outras notícias