Publicado em: 09/02/2026 às 18:00hs
A produção mundial de açúcar deve atingir o segundo maior nível da história na temporada 2025/26, mas sinais indicam que a oferta global diminuirá em 2026/27. O consumo, por sua vez, apresenta crescimento lento, pressionado por fatores econômicos e mudanças no comportamento do consumidor.
A estimativa atualizada aponta um aumento de 1,3 milhão de toneladas em relação à previsão anterior, totalizando 186,7 milhões de toneladas. O crescimento é impulsionado principalmente por China, Indonésia e União Europeia, onde condições climáticas favoráveis melhoraram a produtividade.
Na China, a produção deve chegar a 12 milhões de toneladas, acima das 11,7 milhões de toneladas projetadas anteriormente, graças ao clima favorável nas regiões de Guangxi e Yunnan. No entanto, apesar do preço da cana estabelecido pelo governo sustentar a renda dos produtores, as usinas estão operando com margens negativas, o que pode limitar o suporte à produção na próxima safra.
Na Tailândia, a produção deve cair em 2026/27, já que muitos produtores do Nordeste estão migrando para culturas mais rentáveis, como a mandioca. Margens de lucro apertadas também podem reduzir o uso de insumos agrícolas, impactando a produtividade.
No Brasil, a paridade do etanol deve influenciar a decisão das usinas entre produzir açúcar ou etanol. Apesar do aumento na moagem de cana previsto para 621 milhões de toneladas em 2026/27 (ante 610 milhões anteriormente), a produção de açúcar deve recuar para 40 milhões de toneladas, uma redução de 700 mil toneladas em relação à estimativa anterior.
O consumo mundial de açúcar deve alcançar 178,5 milhões de toneladas, aumento de apenas 0,2 milhões em relação à projeção anterior. Para 2026/27, a expectativa é de crescimento de 2 milhões de toneladas, impulsionado pela queda nos preços do açúcar e a recomposição dos estoques globais.
Apesar disso, o consumo enfrenta desafios estruturais, como maior conscientização sobre os efeitos do açúcar, regulamentações mais rigorosas sobre alimentos e bebidas açucaradas, e a popularização de medicamentos GLP-1 para perda de peso, que podem reduzir a ingestão de açúcar globalmente.
Para 2025/26, projeta-se um excedente global de 8,3 milhões de toneladas, apenas atrás do registrado em 2017/18. Em 2026/27, o excedente deve cair para 3,4 milhões de toneladas, refletindo a redução na produção e ajustes no mercado.
A safra indiana de açúcar começou de forma promissora, com expectativa de 32,8 milhões de toneladas em 2025/26. Embora a floração da cana em Maharashtra possa afetar parcialmente a produtividade das soqueiras, os impactos parecem localizados e não devem comprometer significativamente o excedente indiano.
Fonte: Portal do Agronegócio
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