Produção de açúcar do Brasil deve cair 2,5% em 2026/27, para 42,2 milhões de toneladas
Adido do USDA reduz estimativas de produção e exportação diante de atrasos na moagem, chuvas irregulares e maior destinação de cana para etanol
Publicado em: 08/10/2026 às 19:00hs
A produção brasileira de açúcar deve alcançar 42,2 milhões de toneladas no ano comercial 2026/27, queda de 2,5% em relação às 43,295 milhões de toneladas da temporada anterior. A estimativa foi revisada pelo adido agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Brasília, que anteriormente projetava 42,5 milhões de toneladas.
O corte de 300 mil toneladas reflete o ritmo da safra e as dificuldades operacionais provocadas por chuvas irregulares e atípicas em agosto e setembro. O cenário também levou à revisão da previsão de exportações brasileiras de açúcar, agora estimadas em 33,3 milhões de toneladas.
Chuvas dificultam moagem de cana no Centro-Sul
A produção de açúcar do Centro-Sul está prevista em 38,7 milhões de toneladas, enquanto o Norte-Nordeste deve responder por 3,5 milhões de toneladas.
Segundo a avaliação do adido do USDA, a persistência de chuvas irregulares no Centro-Sul em setembro elevou o risco de interrupções na colheita da cana-de-açúcar. As condições podem exigir ajustes nos cronogramas das usinas ou prolongar os trabalhos para além de novembro.
Normalmente, as unidades da região iniciam a entressafra entre novembro e dezembro, período utilizado para manutenção dos equipamentos. Eventuais atrasos na colheita podem alterar esse calendário operacional.
No Norte-Nordeste, a perspectiva é diferente: a redução da intensidade das chuvas deve favorecer o início da colheita regional.
Maior produção de etanol limita oferta de açúcar
Entre abril e agosto de 2026, as exportações brasileiras de açúcar recuaram em um cenário de maior destinação da cana-de-açúcar para a fabricação de etanol.
De acordo com o adido, os preços internacionais mais baixos e a demanda mais fraca por açúcar também contribuíram para essa mudança no mix de produção, que define a participação de cada produto no processamento da cana.
A menor alocação de matéria-prima para açúcar reduziu tanto o volume embarcado quanto a receita das exportações na comparação com a safra anterior.
Exportações de açúcar devem atingir 33,3 milhões de toneladas
A nova projeção do adido do USDA indica que o Brasil deve exportar 33,3 milhões de toneladas de açúcar em 2026/27, ante 34 milhões de toneladas em 2025/26. A diferença corresponde a uma redução de aproximadamente 2,1%.
Do total previsto para a nova temporada, 29,2 milhões de toneladas devem ser de açúcar bruto e 4,1 milhões de toneladas de açúcar refinado.
Na temporada anterior, os embarques somaram 29,9 milhões de toneladas de açúcar bruto e 4,1 milhões de toneladas de refinado. Assim, a queda projetada se concentra no açúcar bruto, enquanto as vendas externas do refinado devem permanecer estáveis.
O avanço da colheita, a regularidade da moagem e as decisões das usinas sobre a destinação da cana serão determinantes para o cumprimento das estimativas de produção e exportação.
Fonte: Portal do Agronegócio
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