Publicado em: 07/03/2024 às 20:00hs
A temporada de safra 2024/25 no Centro-Sul do Brasil projeta uma redução significativa na moagem de cana, totalizando 592 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 9,8% ou 64 milhões de toneladas em comparação ao recorde registrado no ciclo atual, que se encerra este mês, atingindo 656 milhões de toneladas. As previsões apresentadas pela consultoria Datagro durante a abertura da safra em Ribeirão Preto (SP) atribuem essa redução à expectativa de menor volume de chuvas em março e abril, somada à influência do fenômeno climático La Niña no segundo semestre.
Plínio Nastari, presidente da Datagro, destacou a safra atual como memorável, enfatizando a contribuição das chuvas favoráveis e a ausência de geadas, resultando em uma produção recorde. Nastari ressaltou que, apesar dos preços remuneradores para o açúcar nesta temporada, o etanol enfrentou pressões devido ao baixo consumo, que começou a se recuperar em agosto.
De acordo com a consultoria, as exportações de açúcar devem superar a média histórica, atingindo 32,85 milhões de toneladas, com um estoque de passagem estimado em 3,28 milhões de toneladas. Os preços mais atrativos do açúcar indicam que a próxima safra também terá um foco maior na produção açucareira. A estimativa para a produção de açúcar é de 40,5 milhões de toneladas, enquanto a produção de etanol deve cair de 33,52 bilhões de litros para 30,4 bilhões de litros.
A previsão de chuvas 27% abaixo da média histórica nos próximos três meses, considerado crucial para o desenvolvimento da cana, juntamente com a possibilidade de geadas devido ao La Niña, contribuem para a projeção de queda na moagem no novo ciclo. Com esses fatores, a produtividade por hectare deve reduzir de 88,3 toneladas para 78,8 toneladas no Centro-Sul, com um leve aumento de 1% na área de produção devido à menor renovação dos canaviais.
Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica), destacou as surpresas da safra que se encerra, incluindo uma produção histórica e a disparidade nos preços entre açúcar e etanol. Ele apontou desafios para os produtores de etanol, incluindo mudanças tributárias em 2022 e a necessidade de compreensão de diversos mercados e regulamentações.
José Sérgio Ferrari Junior, diretor da Usina Ferrari, de Pirassununga (SP), concordou com a expectativa de uma moagem menor na próxima safra. Ele previu um cenário desafiador, mas destacou o aumento do foco na produção de açúcar diante da deterioração nos preços do etanol.
Fonte: Portal do Agronegócio
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