Setor Sucroalcooleiro

Preços internacionais do açúcar despencam em abril diante do aumento da oferta

Brasil e países asiáticos produzem mais do que o esperado, contribuindo para a queda nos valores futuros


Publicado em: 06/05/2024 às 11:50hs

Preços internacionais do açúcar despencam em abril diante do aumento da oferta

As cotações internacionais do açúcar sofreram uma queda acentuada em abril, refletindo a abundância de oferta no mercado. Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), os contratos de açúcar bruto com entrega em julho fecharam a sessão de 30 de abril a 19,41 centavos de dólar por libra-peso, uma redução significativa em relação aos 22,15 centavos registrados em 28 de março. Essa queda de 12,3% é um indicativo claro de que as previsões para uma safra recorde no Brasil e a maior produção em países asiáticos têm enfraquecido o mercado futuro.

Em abril, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou sua primeira estimativa para a safra de cana-de-açúcar 2024/25, projetando que o Brasil deve produzir 685,86 milhões de toneladas, um recuo de 3,8% em relação à safra anterior. Esse declínio na produção está relacionado a baixos índices de chuvas e altas temperaturas na Região Centro-Sul, resultando em uma queda de 7,6% na produtividade, para 79.079 quilos por hectare.

Embora a safra de cana-de-açúcar esteja em queda, a área de colheita aumentou 4,1%, passando de 8,33 milhões para 8,67 milhões de hectares. Esse crescimento se deve ao aumento de áreas em expansão e renovação. A colheita na Região Centro-Sul já começou, com previsão de intensificação a partir de maio.

Apesar da queda na safra de cana, a produção de açúcar é projetada para alcançar 46,29 milhões de toneladas, um aumento de 1,3% em relação à safra anterior, estabelecendo um novo recorde histórico. A Conab destaca que, com exceção da Região Norte, e dos estados de Mato Grosso e São Paulo, houve um maior direcionamento da cana para a produção de açúcar em vez de etanol, reforçando o crescimento na produção do adoçante.

O enfraquecimento nas cotações internacionais é resultado direto desse cenário de oferta robusta, que supera as expectativas iniciais, tanto do Brasil quanto de países asiáticos. Com a safra brasileira atingindo recordes e a produção asiática também aumentando, a pressão sobre os preços do açúcar deve continuar, criando um ambiente desafiador para os produtores que esperavam uma recuperação nos valores.

Fonte: Portal do Agronegócio

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