Publicado em: 27/10/2023 às 13:50hs
Para Arnaldo Correa, diretor da Archer Consulting, apesar de ser impossível estimar o volume exato de cana deixada para ser colhida na safra 2023/24, o volume deve ser relativamente pequeno, já que não faz sentido econômico no atual contexto deixar de moer a produção.
"Na verdade, algumas usinas estariam no momento receosas de continuar produzindo e não ter onde colocar o açúcar, já que existe um line-up gigante no Porto de Santos, em torno de 5,9 milhões de toneladas, mais de 40 navios, aguardando para serem embarcadas", diz o consultor, que menciona a espera de cerca de 32 dias no porto para o embarque efetivo, o que é evitado devido aos custos envolvidos.
Segundo Correa, esse quadro tem como pano de fundo o receio das usinas de receber um sinal amarelo das tradings, diante da dificuldade destas de armazenamento no porto ou em seus próprios armazéns.
"O que pode estar acontecendo são casos absolutamente pontuais. E o volume de cana pisada dependerá principalmente da capacidade industrial de transformar a cana em açúcar e que pode fazer com que a cana seja pisada, ou seja, deixe para ser usada logo no começo da próxima safra", diz Correa.
Ele menciona as condições climáticas, que também andaram jogando contra o processamento e embarque, especialmente no mês de setembro.
"Como a cana no campo vai continuar crescendo, esses 10 milhões de toneladas de cana pisada, o que é uma estimativa apenas, já que é muito cedo para garantir, vão virar 14 milhões"
--- Arnaldo Côrrea, diretor da Archer Consulting
De acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), na safra 2022/23, o açúcar ganhou participação relativa como destino para a cana colhida no centro-sul do país, comparativamente ao etanol por conta dos preços atrativos no exterior. Cerca de 50,6% foram destinados ao etanol, ante 49,4% para o açúcar.
No caso do etanol, na avaliação de Correa, o mercado se ressente do preço definido pelo governo, que estaria defasado, ´puxado´ para baixo pelo controle do preço da gasolina.
Já para o açúcar, segundo a pesquisadora Heloísa Burnquist, do Cepea, o mercado nacional segue fortemente influenciado pela dinâmica internacional, já que o Brasil é o maior produtor e maior exportador, com a demanda sustentada e a Índia pouco ativa, o que levam a pesquisadora a projetar preços firmes e elevados nos próximos meses.
"Neste ano, cerca de 40% do que a União Europeia importa de açúcar tem vindo do Brasil. Já a Índia e a Tailândia, que costumam ser relevantes neste mercado, têm apresentado problemas para exportarem suas produções. Com isso, o Brasil tem sido o único país que tem aproveitado para ganhar mercado", diz a pesquisadora.
Fonte: Globo Rural
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