Setor Sucroalcooleiro

Petróleo e política de combustíveis no Brasil podem elevar o piso do açúcar, aponta análise

Alta dos custos de importação e decisões da Petrobras influenciam competitividade do etanol e direcionamento da produção nas usinas


Publicado em: 17/03/2026 às 20:00hs

Petróleo e política de combustíveis no Brasil podem elevar o piso do açúcar, aponta análise

A dinâmica do mercado de energia voltou a impactar diretamente o setor sucroenergético. Segundo análise da Hedgepoint Global Markets, a alta do petróleo e possíveis decisões sobre o repasse dos custos de importação de combustíveis no Brasil podem alterar o piso dos preços do açúcar no mercado internacional.

Alta do petróleo pressiona custos e influencia mercado

Com cerca de 15% do consumo de gasolina no Brasil sendo atendido por importações, a elevação dos preços do petróleo aumenta os custos de aquisição do combustível no exterior. Esse movimento pode pressionar os preços internos, dependendo da política de repasse adotada pela Petrobras.

Caso esses custos sejam transferidos ao mercado doméstico, o etanol tende a ganhar competitividade frente à gasolina, impactando diretamente as decisões das usinas sobre o mix de produção.

Maior competitividade do etanol pode reduzir oferta de açúcar

Com o etanol mais competitivo, as usinas podem direcionar uma parcela maior da cana-de-açúcar para a produção de biocombustível, reduzindo a oferta de açúcar no mercado. Esse movimento contribui para elevar o piso das cotações do adoçante.

Cenários indicam diferentes pisos para o açúcar

A Hedgepoint elaborou três cenários para avaliar como a relação entre gasolina e etanol pode influenciar os preços mínimos do açúcar:

  • Cenário 1 – Sem repasse de custos pela Petrobras
    • Com base nos preços atuais do etanol hidratado nas usinas e considerando a importação de gasolina sem repasse ao consumidor, o equivalente em açúcar é estimado em cerca de 17,4 centavos de dólar por libra-peso. Nesse caso, o etanol se mostra mais atrativo, reduzindo o mix açucareiro.
  • Cenário 2 – Necessidade de maior competitividade do etanol
    • Para estimular o consumo doméstico de biocombustível e absorver excedentes, o preço implícito do açúcar poderia cair para aproximadamente 13,5 centavos de dólar por libra (ex-mill em São Paulo), funcionando como um piso ao longo da safra.
  • Cenário 3 – Repasse integral dos custos de importação
    • Se houver repasse total dos custos pela Petrobras, mantendo a paridade de preços na bomba, o piso do açúcar pode subir para cerca de 16,2 centavos de dólar por libra.
Mercado reage a fatores externos e geopolíticos

Nas últimas semanas, o mercado de açúcar apresentou forte volatilidade, influenciado por tensões no Oriente Médio, oscilações no petróleo e incertezas macroeconômicas. Os preços chegaram a subir com compras de fundos e cobertura de posições vendidas, mas perderam força rapidamente.

Segundo Lívea Coda, coordenadora de Inteligência de Mercado da Hedgepoint, o movimento recente foi majoritariamente técnico, já que os fundamentos continuam indicando excesso de oferta global.

Energia pode sustentar preços, mas cenário segue incerto

Apesar do quadro de superávit global, a continuidade da alta no setor energético pode oferecer suporte ao piso dos preços do açúcar. O fortalecimento dos derivados de petróleo tende a elevar os combustíveis no Brasil, favorecendo o etanol e impactando o direcionamento da produção.

Ainda assim, esse suporte permanece dependente do cenário internacional, especialmente da evolução dos conflitos no Oriente Médio e de seus reflexos sobre o mercado de energia.

Fonte: Portal do Agronegócio

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