Setor Sucroalcooleiro

Moagem de cana recua no Norte e Nordeste e produção de açúcar cai mais de 13% na safra 2025/26

Chuvas irregulares, volatilidade internacional e mudança no mix de produção impactam desempenho do setor sucroenergético


Publicado em: 07/04/2026 às 17:00hs

Moagem de cana recua no Norte e Nordeste e produção de açúcar cai mais de 13% na safra 2025/26
Moagem de cana registra queda nas regiões Norte e Nordeste

A safra 2025/26 de cana-de-açúcar nas regiões Norte e Nordeste apresenta retração no processamento. No acumulado até o fim de fevereiro, a moagem totalizou 52,8 milhões de toneladas, queda de 4,1% em relação ao mesmo período do ciclo anterior.

Na divisão regional:

  • Norte: 6,9 milhões de toneladas (-5,3%)
  • Nordeste: 45,8 milhões de toneladas (-4%)

Além da menor moagem, o período também foi marcado por um direcionamento maior da produção para o etanol, caracterizando um mix mais alcooleiro.

Produção de açúcar despenca mais de 13%

A produção de açúcar nas duas regiões somou 2,988 milhões de toneladas até o final de fevereiro, registrando queda expressiva de 13,8% na comparação anual.

O desempenho reflete tanto a menor oferta de matéria-prima quanto a priorização da produção de etanol pelas usinas.

Produção de etanol cresce com destaque para o milho

Diferentemente do açúcar, a produção de etanol avançou no período. O volume total produzido no Norte e Nordeste alcançou 2,79 bilhões de litros, superando o registrado no mesmo intervalo da safra anterior.

No detalhamento:

  • Etanol de cana anidro: 852,8 milhões de litros (+3,4%)
  • Etanol de cana hidratado: 1,289 bilhão de litros (-3,2%)

Já o etanol de milho somou 648,5 milhões de litros, sendo:

  • 557,3 milhões de litros de anidro
  • 91,2 milhões de litros de hidratado
Clima irregular e cenário global influenciam a safra

Segundo Renato Cunha, presidente executivo da NovaBio, a safra tem sido impactada por fatores climáticos e econômicos.

De acordo com o executivo, o período é marcado por chuvas irregulares e variações climáticas acima da média. Além disso, a agenda geopolítica tem exercido forte influência sobre o setor.

Volatilidade externa e tarifas afetam mercado do açúcar

Ainda segundo Cunha, o aumento da participação do etanol no mix produtivo está relacionado ao comportamento das bolsas internacionais, como a ICE Futures U.S. e a ICE Futures Europe.

A atuação de fundos de investimento, focada na volatilidade do mercado global de açúcar, pressionou as cotações, mesmo diante de fundamentos que indicam pequenos déficits na oferta internacional.

Outro fator relevante foi o impacto de medidas comerciais dos Estados Unidos, especialmente o chamado “tarifaço Trump”, que afetou os embarques brasileiros de açúcar para o mercado norte-americano — destino importante para a produção do Norte e Nordeste.

Qualidade da cana apresenta queda no período

Os indicadores de qualidade da matéria-prima também registraram recuo. O Açúcar Total Recuperável (ATR) apresentou queda de 7%, enquanto o índice por tonelada de cana recuou 3% na comparação anual.

Safra avança, mas ainda abaixo do esperado

Até o fim de fevereiro, o setor atingiu 89,5% da moagem estimada para a safra 2025/26 nas duas regiões.

O desempenho por região mostra:

  • Norte: 97% da previsão já executada
  • Nordeste: 88,5% da estimativa atingida
Estoques de etanol recuam mais de 10%

Os estoques de etanol também apresentaram redução ao final de fevereiro. O volume total armazenado somou 343,7 milhões de litros, queda de 10,25% em relação ao ano anterior.

No detalhamento:

  • Etanol de cana: 322,6 milhões de litros
  • Hidratado: 143,2 milhões
  • Anidro: 179,4 milhões
  • Etanol de milho: 21 milhões de litros
  • Hidratado: 2,1 milhões
  • Anidro: 18,8 milhões

Entre os tipos de combustível, o etanol anidro teve recuo de 9,05%, enquanto o hidratado caiu 11,83%.

Setor segue atento aos próximos meses

O cenário da safra 2025/26 nas regiões Norte e Nordeste segue desafiador, com impacto combinado de clima adverso, volatilidade internacional e mudanças no perfil produtivo.

Diante desse contexto, o setor sucroenergético mantém atenção aos desdobramentos do mercado global, às condições climáticas e às políticas comerciais que podem influenciar diretamente os resultados nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

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