Publicado em: 11/02/2026 às 11:20hs
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou, nesta terça-feira (10), o novo boletim WASDE (World Agricultural Supply and Demand Estimates), indicando uma leve alta na oferta de açúcar nos EUA para o ciclo 2025/26. O aumento na produção deve compensar a redução nas importações, resultando em uma produção total estimada de 9,410 milhões de toneladas curtas (STRV).
A produção de açúcar de cana na Louisiana foi revisada para cima em 29 mil STRV, reflexo de uma avaliação mais detalhada da safra. Já as produções na Flórida e de açúcar de beterraba permanecem estáveis.
Por outro lado, as importações totais caíram para 2,243 milhões de STRV, uma redução de 11.583 STRV em relação ao relatório anterior, influenciada principalmente por menores embarques das Filipinas. O déficit de cotas tarifárias aumentou em 50.342 STRV, compensado parcialmente por importações adicionais de açúcar bruto com tarifa mais alta (38.759 STRV).
O USDA manteve inalterado o uso de açúcar nos Estados Unidos para o período 2025/26. Os estoques finais devem ficar em 1,940 milhão de STRV, representando uma relação estoque/uso de 15,89%.
No relatório anterior, o órgão havia identificado um erro nas declarações das refinarias, que relataram entregas incorretas para consumo humano. Após a correção, o ajuste reduziu as entregas em 186.607 STRV, sem afetar o uso total ou os estoques finais.
O México, um dos principais fornecedores de açúcar para o mercado norte-americano, teve sua produção revisada para baixo em 23 mil toneladas métricas, totalizando 5,024 milhões de toneladas.
A redução decorre da menor área colhida, o que impactou as projeções de entrega e estoques finais. Ainda assim, as exportações sob licença para os Estados Unidos não sofreram alterações.
Mesmo com as projeções de oferta mais equilibrada, o mercado internacional de açúcar voltou a recuar nesta terça-feira (10), após breve recuperação no início da semana.
Na ICE Futures, em Nova York, o contrato março/26 do açúcar bruto fechou a 14,12 centavos de dólar por libra-peso, queda de 0,23 cent. O maio/26 encerrou em 13,76 cents/lbp, e o julho/26, em 13,72 cents/lbp.
Em Londres, o comportamento foi semelhante: o açúcar branco recuou US$ 7,30 no contrato março/26, cotado a US$ 398,10 por tonelada, enquanto os vencimentos de maio e agosto também registraram baixas, reforçando o movimento negativo nas cotações globais.
No Brasil, o açúcar cristal teve alta no mercado físico, segundo o Indicador Cepea/Esalq, alcançando R$ 101,65 por saca de 50 kg — avanço diário de 1,55%. Apesar do ganho pontual, o acumulado de fevereiro ainda mostra queda de 3,09%, refletindo o impacto das recentes desvalorizações externas.
De acordo com o analista Jack Scoville, da Price Futures Group, o mercado segue pressionado pela ampla disponibilidade global.
Boas condições climáticas em regiões produtoras de cana-de-açúcar e beterraba têm sustentado expectativas de uma safra abundante em 2025/26, especialmente em países como Índia e Tailândia.
O consumo mundial, por sua vez, deve crescer em ritmo mais lento, limitando o potencial de valorização do açúcar no curto prazo.
No setor de biocombustíveis, o etanol hidratado manteve tendência negativa. Segundo o Indicador Diário de Paulínia (SP), o produto foi negociado a R$ 3.130,50 por m³ na terça-feira (10), recuo de 0,14% em relação ao pregão anterior.
Com o resultado, o etanol acumula queda de 0,86% em fevereiro, acompanhando a fraqueza observada no mercado açucareiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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