Setor Sucroalcooleiro

Mercado do açúcar oscila entre recuperação e queda nas bolsas internacionais; etanol mantém estabilidade em São Paulo

Oscilações no preço do açúcar refletem cenário global de superoferta e ajustes produtivos no Brasil, enquanto o etanol paulista segue estável após meses de alta


Publicado em: 04/02/2026 às 11:20hs

Mercado do açúcar oscila entre recuperação e queda nas bolsas internacionais; etanol mantém estabilidade em São Paulo
Recuperação inicial do açúcar nas bolsas internacionais

Os preços do açúcar registraram um movimento de recuperação nas bolsas internacionais no início da semana, revertendo parte das perdas recentes. Na terça-feira (3), tanto em Nova York quanto em Londres, as cotações apresentaram avanços consistentes, conforme dados do Cepea/Esalq.

Na ICE Futures, em Nova York, os contratos do açúcar bruto subiram em todos os principais vencimentos. O contrato março/26 avançou 0,37 centavo, encerrando o dia cotado a 14,63 centavos de dólar por libra-peso. Já o vencimento maio/26 subiu 0,40 centavo, para 14,18 cents/lbp, enquanto julho/26 e outubro/26 fecharam a 14,17 e 14,48 cents/lbp, respectivamente.

Em Londres, o açúcar branco também reagiu positivamente. O contrato março/26 fechou a US$ 417,60 por tonelada, com alta de US$ 12,40, e o maio/26 subiu para US$ 421,60/t. Os contratos agosto/26 e outubro/26 também acompanharam o movimento, encerrando a US$ 414,20 e US$ 410,50/t.

Pressão de superoferta global derruba preços no dia seguinte

Entretanto, o movimento de alta foi interrompido rapidamente. Na quarta-feira (4), o mercado do açúcar voltou a cair, pressionado por um cenário de superoferta global. Em Nova York, o contrato com vencimento em março/26 recuou 0,34%, cotado a 14,58 cents/lbp, acumulando perdas que levaram o produto às mínimas de dois meses e meio.

Em Londres, a queda foi ainda mais expressiva: o contrato equivalente atingiu US$ 414,90/t, o menor valor em cinco anos. Consultorias como Green Pool, StoneX e Covrig Analytics apontam sobras globais que variam entre 2,74 e 4,7 milhões de toneladas para a safra 2025/26.

O principal fator de pressão vem da Índia, cuja produção cresceu 22% entre outubro e janeiro, alcançando 15,9 milhões de toneladas. Com uma safra projetada de 31 milhões de toneladas e menor destinação de cana para etanol, o país asiático tende a aumentar suas exportações, elevando a competição internacional — especialmente com o Brasil.

Brasil: usinas ajustam produção e direcionam mais cana para etanol

No Brasil, a produção acumulada no Centro-Sul cresceu 0,9% até dezembro, mantendo o mix açucareiro em 50,82%. Contudo, há expectativa de mudança. Segundo análise da Czarnikow, as usinas ainda estão atrasadas nas operações de hedge para a próxima safra (2026/27), que começa em abril, e devem direcionar maior parcela da cana para o etanol.

A consultoria reduziu a estimativa de participação do açúcar no mix, passando de 50,5% para 48,3%, o que pode resultar em queda de até 700 mil toneladas na oferta do adoçante, mesmo com aumento da moagem.

Durante a Conferência de Dubai, Guilherme Nastari, da Datagro, projetou uma moagem de 628 milhões de toneladas para 2026/27, reforçando o foco crescente no etanol.

Etanol mostra estabilidade após meses de alta

O mercado de etanol hidratado mantém estabilidade em São Paulo após meses de valorização. Segundo o Cepea, o Indicador Semanal fechou a R$ 3,0885 por litro, praticamente estável. Já o Indicador Diário de Paulínia (SP) apontou leve alta de 0,22%, com o biocombustível negociado a R$ 3.160,00 por metro cúbico.

A estabilização reflete um momento de oferta restrita durante a entressafra, enquanto distribuidoras operam com estoques adquiridos no fim de 2025. A expectativa é de aquecimento nas vendas com a retomada das aulas e a aproximação do Carnaval, períodos de maior consumo.

Perspectivas para o setor

O mercado do açúcar segue volátil, alternando entre movimentos de recuperação e pressão por superoferta, influenciado por fatores externos, como o desempenho da Índia e as estratégias das usinas brasileiras. Já o etanol, beneficiado pela expectativa de maior produção e consumo doméstico, tende a se firmar como alternativa mais competitiva para o setor sucroenergético.

Fonte: Portal do Agronegócio

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