Publicado em: 21/06/2016 às 10:20hs
Os preços do açúcar vivem uma gangorra constante, com picos de altas e quedas se alternando de acordo com os rumores do mercado e a visão de analistas, que levam em conta fatores como a disponibilidade da commodity nos principais players do mundo, como o Brasil, responsável hoje por quase 50% do açúcar vendido no mundo.
Depois de uma alta histórica na última sexta-feira (17), com o preço rompendo a barreira dos 20 centavos de dólar por libra-peso na bolsa de Nova York, o que não ocorria desde 18 de outubro de 2013, a commodity iniciou esta semana em baixa na Ice Future. As quedas oscilaram entre três e 14 pontos.
Nos contratos com vencimento em julho/16, a commodity retraiu sete pontos, sendo negociada a 19,69 centavos de dólar por libra-peso. Já os contratos com vencimento em outubro/16 fecharam em 19,76 cts/lb. A tela de março/17, que tinha rompido a barreira dos 20 cts/lb, fechou ontem a 19,89 cts/lb, baixa de 13 pontos.
Para o economista e professor da FEA/USP de Ribeirão Preto, Marcos Fava Neves, o nível de preços acima de 20 cents a libra é motivo de preocupação para as usinas, uma vez que remunera países que produzem açúcar de cana com um custo maior que o do Brasil, incentivando-os a aumentar a produção.
"O açúcar a 22 cents é compensador até para a produção de açúcar de beterraba pela União Europeia. A maior remuneração pode levar a maior produção, derrubando os preços", disse Fava Neves durante participação, na sexta-feira (17) na Reunião do Conselho da Orplana - Organização dos Plantadores de Cana-de-Açúcar na Região Centro-Sul do Brasil, destacou matéria assinada pela CanaOnLine.
Londres fechou misto
Em Londres os contratos de açúcar fecharam mistos, com alta no vencimento agosto/16 e desvalorização nas demais telas. O primeiro contrato (agosto/16), fechou cotado a US$ 536,40 a tonelada, alta de 40 cents de dólar no comparativo com a véspera. Os demais contratos depreciaram entre 1 dólar e 2,60 dólares.
Mercado interno
No mercado doméstico, medido pelo Cepea/Esalq, da USP, os preços do açúcar tiveram mais um dia de alta, fechando cotados a R$ 86,05 a saca de 50 quilos do tipo cristal, valorização de 0,89% no comparativo com a sexta-feira (17).
Segundo o jornalista Mauro Zafalon, da Folha de S. Paulo, especialista em commodities, a "queda de estoques mundiais e chuvas no Brasil, o que atrasa a colheita de cana-de-açúcar, colocaram o preço interno do açúcar no maior patamar nominal até então registrado no país".
Os valores desta segunda-feira, ainda na análise de Zafalon, superam em 80% o de igual período de 2015. "Descontada a inflação, os preços atuais da saca de açúcar só perdem para os de fevereiro de 2010, quando chegaram a R$ 113 por saca", afirma.
Ouvindo analistas, o jornalista destaca que os preços internos começaram a subir devido à redução dos estoques mundiais, que estão próximos a 37 milhões de toneladas. A queda dos estoques afeta diretamente os preços da commodity.
Etanol diário
Já o etanol hidratado, medido pela Esalq/BVMF, começou a semana em alta, depois de oito dias seguidos em queda. Ontem, o biocombustível foi vendido a R$ 1.402,50 o metro cúbico, alta de 0,65% no comparativo com os preços praticados na sexta-feira (17).
Fonte: Agência UDOP de Notícias
◄ Leia outras notícias