Setor Sucroalcooleiro

Fim da safra no Centro-Sul e superávit global pressionam preços do açúcar

Açúcar tem queda nos preços domésticos com safra do Centro-Sul chegando ao fim


Publicado em: 02/03/2026 às 10:40hs

Fim da safra no Centro-Sul e superávit global pressionam preços do açúcar

O mercado brasileiro de açúcar registrou recuo em janeiro, refletindo o avanço do encerramento da safra 2025/26 e o cenário de oferta ainda elevada. Segundo dados do relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, o indicador Cepea/Esalq para Ribeirão Preto (SP) teve retração de 5,2% no mês, fechando a R$ 104 por saca de 50 quilos.

A safra 2025/26 no Centro-Sul, principal região produtora do país, está praticamente concluída. Até 16 de janeiro, a moagem somou 601 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, cerca de 14 milhões a menos que no ciclo anterior. O mix açucareiro, que começou mais elevado, perdeu força nos últimos meses, mas encerrou o ciclo em 50,8%, acima dos 48,2% do ano anterior.

O ATR médio ficou em 138,4 quilos por tonelada de cana, inferior aos 141,4 quilos registrados na temporada passada. Mesmo assim, a produção total de açúcar alcançou 40,2 milhões de toneladas, crescimento de 1% em relação ao ciclo anterior.

Atualmente, apenas nove usinas seguem com moagem ativa, e ajustes pontuais devem ocorrer até o fechamento oficial da safra, previsto para março.

Condições climáticas e projeções para a próxima temporada

Com o encerramento da colheita, as atenções se voltam para as condições climáticas que podem influenciar a próxima safra. O clima foi favorável no fim de 2025, mas apresentou restrição hídrica em 2026, especialmente no estado de São Paulo.

Embora a umidade do solo ainda seja considerada adequada, a persistência do tempo seco nas próximas semanas pode levar a revisões nas estimativas para a safra 2026/27, atualmente projetada em 620 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.

Preços internacionais do açúcar recuam em Nova York e oscilam em Londres

No mercado externo, o açúcar encerrou a sexta-feira (27) com novas perdas na ICE Futures U.S., leve volatilidade em Londres e pequena reação no mercado físico brasileiro.

Em Nova York, o contrato março/26 do açúcar bruto caiu 0,11 centavo, fechando a 14,30 cents de dólar por libra-peso. O maio/26 recuou 0,06 cent, para 13,89 cents/lbp, e o julho/26 teve queda semelhante, encerrando a 13,87 cents/lbp. Já o outubro/26 fechou a 14,20 cents/lbp, com baixa de 0,08 cent.

Na London Stock Exchange, o açúcar branco apresentou comportamento misto: o contrato maio/26 caiu US$ 0,20, para US$ 407,70 por tonelada, enquanto o agosto/26 subiu US$ 0,40, para US$ 405,70, e o outubro/26 avançou US$ 0,10, chegando a US$ 405,00.

Mercado interno reage, mas acumula queda no mês

Apesar da pressão internacional, o Indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal branco em São Paulo apresentou leve recuperação após sucessivas quedas. A saca de 50 quilos foi negociada a R$ 98,59 na sexta-feira (27), alta diária de 0,46%.

Mesmo com a reação pontual, o acumulado de fevereiro mostra retração de 6,01%, refletindo o impacto do aumento da oferta e da aproximação do fim da moagem.

Superávit global limita valorização do açúcar no curto prazo

A Organização Internacional do Açúcar (OIA) projeta superávit global de 1,22 milhão de toneladas na safra 2025/26, revertendo o déficit de 3,46 milhões de toneladas estimado no ciclo anterior.

Mesmo com cortes nas projeções de produção da Índia (29,5 milhões de toneladas) e da Tailândia (10,86 milhões), a produção mundial deve alcançar 181,29 milhões de toneladas, um aumento de 3% em relação à temporada passada. Já o consumo global é estimado em 180,07 milhões de toneladas.

De acordo com a OIA, o cenário de preços no curto prazo tende à estabilidade, uma vez que o superávit é considerado moderado e o déficit anterior foi parcialmente compensado pela liberação de estoques indianos.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias
/* */ --