Publicado em: 20/02/2026 às 12:00hs
As exportações brasileiras de açúcar e melaços registraram forte alta nos primeiros dez dias úteis de fevereiro de 2026, com média diária 44% superior à observada no mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Em 2025, o país embarcou, em média, 91.257,5 toneladas por dia, totalizando 1,82 milhão de toneladas ao longo de fevereiro. Já neste ano, a média diária subiu para 131.384,7 toneladas, com embarques acumulados de 1,31 milhão de toneladas até o momento.
O resultado consolida o açúcar como um dos principais produtos da pauta exportadora agroindustrial brasileira, reforçando o protagonismo do setor sucroenergético no superávit comercial do país.
Apesar do expressivo avanço no volume exportado, os preços médios internacionais recuaram 22,6% na comparação com o mesmo mês de 2025. O valor da tonelada caiu de US$ 477,80 para US$ 370,10, refletindo a pressão global sobre as commodities agrícolas diante da maior oferta e do cenário de acomodação nos contratos futuros.
Mesmo assim, o faturamento médio diário das exportações cresceu 11,5%, saltando de US$ 43,6 milhões para US$ 48,6 milhões. Com isso, o Brasil já acumula US$ 486,2 milhões em receitas com açúcar e melaços nos dez primeiros dias úteis de fevereiro — valor que deve superar, até o fim do mês, os US$ 872 milhões registrados em todo o fevereiro de 2025.
O desempenho das exportações reflete a competitividade do setor sucroenergético brasileiro, sustentada pela eficiência produtiva, tecnologia de moagem e estratégias de diversificação entre açúcar e etanol.
Especialistas do mercado avaliam que o Brasil segue consolidado como o maior exportador mundial de açúcar, respondendo por mais de 40% do comércio global. A demanda internacional tem sido impulsionada por países da Ásia e do Oriente Médio, que seguem ampliando suas compras diante de menores colheitas na Índia e na Tailândia.
No contexto macroeconômico, o Banco Central do Brasil mantém a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, buscando equilibrar o combate à inflação com o estímulo à atividade econômica.
De acordo com o Boletim Focus de fevereiro de 2026, a projeção do mercado financeiro para o crescimento do PIB nacional neste ano é de 2,3%, com inflação próxima a 3,8% — dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
O setor agroexportador, em especial o de commodities como açúcar, soja e milho, continua sendo um dos pilares da balança comercial brasileira, garantindo entrada de divisas e estabilidade cambial mesmo em um cenário de juros elevados e volatilidade internacional.
A expectativa é de que o ritmo de embarques siga acelerado até o fim do primeiro semestre, impulsionado pelo bom desempenho da safra 2025/26 e pela demanda firme no mercado externo.
Produtores e tradings brasileiras seguem atentos à movimentação cambial e à política de juros, fatores que influenciam diretamente na competitividade do açúcar brasileiro no exterior.
Com o real mais valorizado e o custo de produção estável, o Brasil mantém posição de liderança global e deve encerrar 2026 com novo recorde nas exportações do setor.
Fonte: Portal do Agronegócio
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