Exportação de açúcar: portos brasileiros têm 2,18 milhões de toneladas na fila de embarque enquanto vendas externas desaceleram
Line-up aponta 50 navios aguardando carregamento nos principais portos do país; exportações de açúcar registram queda em volume, receita e preço médio em julho
Publicado em: 10/07/2026 às 18:00hs
Os portos brasileiros seguem com intensa movimentação para as exportações de açúcar, apesar da desaceleração observada nas vendas externas no início de julho. O line-up de embarques indica que 50 navios aguardavam carregamento até 1º de julho, com programação para exportar 2,176 milhões de toneladas do produto, volume ligeiramente inferior ao registrado na semana anterior, quando estavam previstas 2,213 milhões de toneladas.
Os dados reforçam a posição do Brasil como maior exportador mundial de açúcar, mas também evidenciam um cenário de menor ritmo nos embarques e de redução na receita obtida com as vendas ao mercado internacional.
Porto de Santos concentra quase 80% dos embarques
O Porto de Santos (SP) permanece como o principal corredor de exportação de açúcar do país, concentrando aproximadamente 1,707 milhão de toneladas do volume programado.
Na sequência aparecem:
- Porto de Paranaguá (PR): 431,2 mil toneladas;
- Porto de Maceió (AL): 31,3 mil toneladas;
- Porto de Recife (PE): 7,3 mil toneladas.
O line-up considera embarcações já atracadas, navios fundeados aguardando atracação e aqueles com previsão de chegada aos portos brasileiros até o dia 10 de agosto.
Açúcar VHP domina a pauta de exportações
O açúcar do tipo VHP (Very High Polarization) continua sendo o principal produto destinado ao mercado externo.
A programação de embarques está distribuída da seguinte forma:
- Açúcar VHP: 1,981 milhão de toneladas;
- Açúcar TBC: 137 mil toneladas;
- Açúcar Cristal B-150: 25 mil toneladas;
- Açúcar Refinado A-45: 7,3 mil toneladas;
- Açúcar VHP ensacado: 26 mil toneladas.
O predomínio do VHP reflete a forte demanda internacional pelo produto utilizado como matéria-prima para refinarias em diversos países.
Exportações de açúcar recuam em julho
Apesar da elevada programação logística nos portos, os números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram um início de julho mais fraco para as exportações brasileiras de açúcar e melaços.
Nos três primeiros dias úteis do mês, o Brasil embarcou 223,9 mil toneladas, gerando receita de US$ 82,2 milhões.
A média diária foi de:
- 74,6 mil toneladas exportadas;
- US$ 27,4 milhões em receita;
- Preço médio de US$ 367,20 por tonelada.
Receita, volume e preço ficam abaixo de julho de 2025
Na comparação com julho do ano passado, o desempenho das exportações apresenta retração significativa.
Os indicadores mostram:
- queda de 57,2% na receita média diária;
- redução de 52,2% no volume médio embarcado;
- recuo de 10,6% no preço médio da tonelada exportada.
Em julho de 2025, a receita média diária alcançava US$ 64,1 milhões, enquanto os embarques somavam 156 mil toneladas por dia, com preço médio de US$ 410,70 por tonelada.
Mercado acompanha demanda internacional e ritmo dos embarques
O desempenho das exportações brasileiras continuará sendo acompanhado de perto pelo mercado nas próximas semanas. Além da demanda internacional, fatores como a competitividade do açúcar brasileiro, a logística portuária, a oferta global e as oscilações dos preços internacionais deverão influenciar o ritmo dos embarques ao longo da safra 2026/27.
Mesmo com a redução observada no início de julho, o elevado volume programado nos portos indica que o Brasil mantém uma forte presença no mercado global de açúcar, sustentando sua liderança nas exportações mundiais da commodity.
Fonte: Portal do Agronegócio
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